Morte de Lázaro: Veja o que se sabe e o que falta esclarecer sobre o caso

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  • Buscas mobilizaram centenas de agentes durante mês de junho

  • Fugitivo foi ajudado por fazendeiro da região

  • No total, ele é acusado de nove crimes

Lázaro Barbosa, 32 anos, foi morto nesta segunda-feira (28) em Águas Lindas por forças policiais depois de uma caçada de 20 dias que mobilizou 270 agentes. Ele é acusado de assassinar toda uma família de quatro pessoas em Ceilândia, no Distrito Federal.

Durante o período em que ficou foragido, Lázaro se movimentava por dentro da mata entre as cidades de Cocalzinho de Goiás e Águas Lindas. Durante as buscas, foram usados helicópteros, viaturas, cachorros, drones com visão térmica, rádios especiais e antes amplificadores de sinal.

Mesmo com todo o equipamento, o conhecimento de Lázaro da região, onde cresceu, deu vantagem na fuga. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Goiás afirma que Lázaro era um “mateiro”.

O caso da família de Ceilândia

Lázaro é suspeito de assassinar um casal e dois filhos em uma chácara no Incra 9, em Ceilândia (DF), no dia 9 de junho. Ele atacou a família com tiros e facadas e roubou coisas da casa. Após o crime, ele conseguiu fugir pela mata da região e rodovias. Para isso, furtou carros, que dirigiu pela rodovia BR-070, que depois incendiou e abandonou.

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Após o assassinato em Incra 9, Lázaro teria invadido outra chácara na mesma região, onde ficou por quatro horas, fez reféns e roubou um veículo par fugir para Goiás. Essa invasão deu indícios para a polícia que ele seria o autor da chacina da família em Ceilândia.

A fuga e a caçada

No dia 11 de junho, ele chegou em Cocalzinho de Goiás. No dia seguinte, ele atirou em quatro pessoas, invadiu fazendas e colocou fogo em uma casa para fugir. As vítimas foram encaminhadas a hospitais da região. No dia 14, um caseiro afirmou à polícia que atirou contra o fugitivo, que queria entrar na casa. Ele foi avistado em uma fazenda entre os distritos de Edilândia e Girassol.

Rodney Miranda, que é secretário de Segurança Pública de Goiás, afirmou que Lázaro conhecia muito bem a região de Cocalzinho. "Ele, além de ser um psicopata, é da região. É o que nós chamamos de 'mateiro', acostumado a se emburacar no mato. Ele deve ter outra motivação psicótica. Está muito focado em seguir na trajetória criminosa", disse Miranda.

No dia 15 de junho, Lázaro fez um casal e um adolescente refém em Edilândia. Familiares contaram sobre o ocorrido. "Ele falou que ia matar os três. Quando viu o helicóptero deitou eles no chão e os tapou com folhas. Quando a polícia chegou por terra, ele atirou contra a polícia", contou a familiar dos reféns. No mesmo dia, ele baleou dois policiais da PM de Goiás.

No dia 17, houve trocas de tiros entre policiais e o fugitivo, e se supõe que Lázaro se encontre ferido.

Lázaro foi avistado algumas vezes por pessoas da região até o dia de sua captura. Um moradora de Cocalzinho contou que atendeu o fugitivo na padaria que trabalha no dia 26 de junho. "Foi muito rápido e ele estava nervoso. Ele está bem diferente, está mais magro, está mais moreno, o cabelo está um pouco grande e 'lambido' para trás", relatou.

Miranda conta que o conhecimento do local pelo criminoso foi o que mais dificultou as buscas, além de ter tido ajuda de fazendeiros locais. Foram usados mais de 200 homens na caçada e diversos equipamentos de segurança. A Secretaria de Segurança Pública de Goiás não divulgou ainda os valores destinados à operação. No entanto, estima-se que foi destinado uma alta quantia para a captura de Lázaro.

Por quais crimes ele é investigado?

No total, são ao menos nove crimes cometidos por Lázaro: roubo, estupro, sequestro, tentativa de homicídio, homicídio, furto, porte ilegal de arma de fogo, tentativa de latrocínio e invasão.

Até agora, além do fim da caçada por Lázaro que culminou em sua morte, a operação já prendeu duas pessoas suspeitas de o ajudarem na fuga, um caseiro e um fazendeiro. A polícia ainda apura a relação deles com o assassino.

O caseiro, que está em liberdade provisória, contou às autoridades que o fazendeiro é amigo da família do suspeito. A defesa do patrão nega que ele tenha ajudado Lázaro.

Como o fazendeiro ajudou Lázaro?

O fugitivo fazia três refeições na fazendo, de acordo com o depoimento do caseiro na última quinta-feira (24) à investigação. Ele relatou que percebeu que faltava leite, havia copos sujos na pia e pão na mesa, sendo que ninguém dormia no local. Ele relatou também que ouviu o patrão chamar por Lázaro na hora do almoço e reparou que mais comida estava sendo preparada.

"Vem almoçar Lázaro", gritava o fazendeiro em direção à mata, conforme relatou o caseiro. O mesmo acontecia no período da noite e seu patrão gritava para a mata: “a porta vai ficar aberta”.

Lázaro dormiu no imóvel por pelo menos cinco dias, entre 18 e 23 de junho. O caseiro conta que percebeu que um colchão estava fora do lugar todos os dias. Ele ressalta que ninguém dormia na chácara normalmente.

Na tarde do dia 23 de junho, o fazendeiro foi além para proteger o fugitivo e impediu que uma equipe do Comando de Operação de Divisas da Polícia Militar (COD) entrasse na propriedade. De acordo com os agentes, eles foram tratados com hostilidade pelo dono do local. O advogado disse que ele teria feito isso para evitar fuga de animais.

O caseiro, no entanto, afirma que tinha ordens de não deixar a polícia entrar desde o dia 18.

Quando a polícia se aproximava do local, Lázaro se escondia em um depósito, onde ficavam equipamentos e uma máquina de cortar grama. No dia em que fazendeiro e caseiro foram presos, o funcionário da fazenda conta que viu Lázaro correr para dentro do depósito. O fugitivo fez um sinal para que ele saísse da residência. Lá fora, o caseiro viu os agentes de polícia. De acordo com ele, não denunciou o esconderijo de Lázaro por ter sido ameaçado de morte.

O major do COD afirma que o caseiro revelou que havia uma relação de proximidade entre o fazendeiro e a família de Lázaro. Ele teria dado auxílio à família quando o irmão de Lázaro morreu, além de já haver empregado a mãe e o tio do suspeito. Quando a polícia conseguiu entrar na chácara, viu o nome do tio de Lázaro escrito com tinta em uma parede.

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