Morte e desespero em hospital de Nova Delhi

Maude BRULARD y Archana THIYAGARAJAN
·3 minuto de leitura

Quase sem respirar, Shyam Narayan foi levado a um hospital de Nova Delhi, mas sua família percebeu rapidamente que a sobrecarregada equipe médica nada poderia fazer por ele.

Narayan foi uma das vítimas da nova onda do coronavírus que está assolando a Índia, onde milhares de pessoas chegam aos hospitais e descobrem que não há leitos, falta oxigênio e remédios que podem salvar vidas.

No Hospital Guru Teg Bahadur (GTB), no nordeste de Delhi, Narayan e sua família chegaram em meio a um balé de ambulâncias, riquixás e outros veículos transportando pacientes com covid-19.

Todos esperaram a liberação de leitos no hospital.

- Luta por oxigênio -

A família de Narayan tentou, durante a noite, em algum hospital, encontrar um leito de terapia intensiva com oxigênio.

Mas em todos os centros a resposta foi negativa, de acordo com Ram, irmão de Shyam.

"Meu irmão tem cinco filhos. O que vou dizer à esposa dele?", pergunta Ram.

O hospital GTB também não tinha leitos disponíveis, assim como as outras instalações médicas em Delhi, que estão lutando para obter oxigênio.

Tudo isso ocorre em um contexto dramático para o país: a Índia registrou 2.624 mortes por coronavírus nas últimas 24 horas, um recorde diário, além de 340.000 novos casos, elevando o número total de infecções a 16,5 milhões.

Isso fez com que os hospitais ficassem saturados de pacientes e faltasse oxigênio para salvar vidas.

A morte de Narayan, do lado de fora do hospital, é um fato que, infelizmente, acontece com frequência neste país.

E certamente seu caso não será contabilizado nas estatísticas oficiais: seu corpo sem vida foi levado para outro lugar, sem ser formalmente admitido no centro.

Na entrada do GTB, os seguranças impedem a entrada dos enfermos e explicam que os quartos já estão lotados.

Alguns, com seus parentes, decidem ficar e esperar do lado de fora. Outros continuam sua busca desesperada em outros hospitais.

- Morte em família -

Exausto, Mohan Sharma, de 17 anos, aguarda com seu avô de 65 anos, dando-lhe água e encorajamento, ajudando-o a colocar uma máscara de oxigênio.

Menos de 24 horas antes, o pai de Mohan Sharma morreu de coronavírus, na mesma fila, em frente ao hospital.

"Ele estava ficando sem fôlego, não conseguia respirar, tirou a máscara, chorou e disse 'me salve, por favor, me salve'", explica o filho.

"Mas não pude fazer nada. Só pude vê-lo morrer."

E sem tempo para pensar em luto, o adolescente agora tem que ajudar seu avô.

A família conseguiu encontrar um leito para ele, mas o avô está desesperado pelo ambiente assustador.

"Havia três cadáveres bem perto, e isso o apavorou, ele disse que também não ia sobreviver. Tive que levá-lo para fora, e agora ele está descansando", diz Sharma.

Pessoas que conseguiram entrar no hospital descrevem os corredores lotados, com leitos ou macas ocupadas por duas ou até três pessoas.

O cilindro de oxigênio do avô de Sharma está quase vazio e não há garantia de que possa ser substituído.

mbr-arc/tw/oho/me/es/gf