Morte de João Alberto evidencia dimensão do racismo no Brasil, diz ONU

O Globo
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SÃO PAULO - o escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) manifestou em comunicado preocupação com a morte do João Alberto Silveira Freitas, conhecido entre os amigos como Nego Beto, espancado por dois seguranças de um supermercado da rede Carrefour em Porto Alegre.

"A violenta morte de João, às vésperas da data em que se comemora o Dia da Consciência Negra no Brasil, é um ato que evidencia as diversas dimensões do racismo e as desigualdades encontradas na estrutura social brasileira", afirmou a entidade, em nota distribuída na noite de sexta-feira (20).

Na carta aberta, a ONU cita números da violência racial no Brasil, apontando que 75% das vítimas de homicídio no Brasil são negras, e sugere que o poder público se engaje mais na questão.

"O debate sobre a eliminação do racismo e da discriminação racial é, portanto, urgente e necessário, envolvendo todas e todos os agentes da sociedade, inclusive o setor privado."

No comunicado, a organização reitera que a proibição da discriminação racial consta dos principais instrumentos internacionais de direitos humanos e também na legislação brasileira, e que é preciso fazer valer a lei.

"A ONU Brasil insta as autoridades brasileiras a garantirem a plena e célere investigação do caso e clama por punição adequada dos responsáveis, por reparação integral a familiares da vítima e pela adoção de medidas que previnam que situações semelhantes se repitam", diz o comunicado.

O escritório da ONU no Brasil é um dos que estão promovendo a Campanha Vidas Negras, iniciativa da organização para promovoer a "construção de uma sociedade igualitária e livre do racismo".

João Alberto foi brutalmente espancado até a morte por dois seguranças brancos na saída da unidade do Carrefour no bairro Passo D'Areia, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Vídeos que circulam em redes sociais mostram ele sendo agarrado pelas costas por um segurança e agredido por outro com diversos socos na cabeça. Laudo da necropsia indicou que ele morreu por asfixia.

A repercussão do caso levou a protestos em todo o país, com uma loja do Carrefour tendo sido depredada em São Paulo. Pai de quatro filhos, João Alberto foi enterrado na manhã deste sábado (21) em Porto Alegre.