Morte de líder rebelde sírio em ataque russo não serve à paz, diz Arábia Saudita

Líder rebelde sírio Zahran Alloush (centro) durante conferência em Douma, na Síria, em agosto do ano passado. 27/08/2014 REUTERS/Bassam Khabieh

RIAD (Reuters) - A Arábia Saudita denunciou nesta terça-feira a morte de um proeminente líder rebelde sírio, dizendo que a sua morte num ataque aéreo russo na semana passada não servia à causa pela paz na Síria.

Zahran Alloush, de 44 anos, que comandava o grupo rebelde Jaysh al-Islam, foi morto quando aviões russos atacaram perto de Damasco na sexta-feira. A sua morte representou um golpe significativo para o controle rebelde na periferia do leste da capital síria.

"Acreditamos que o assassinato de Zahran Alloush ou o combate a líderes que têm apoiado uma solução pacífica e a luta contra o Daesh (Estado Islâmico) na Síria não servem ao processo de paz na Síria", disse o ministro do Exterior saudita, Adel al-Jubeir, numa entrevista à imprensa em conjunto com o seu colega turco de pasta, Mevlut Cavusoglu.

Cavusoglu acompanhava o presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, numa visita ao rei saudita Salman em Riad. As potências sunitas Arábia Saudita e Turquia são dois dos principais apoiadores dos rebeldes sírios que lutam para derrubar o presidente Bashar al-Assad, que é aliado da Rússia e do xiita Irã.

A morte de Alloush se deu quase duas semanas depois que mais de 100 grupos rebeldes e opositores, incluindo o Jaysh al-Islam, se encontraram na Arábia Saudita para coordenar as suas posições antes das negociações de paz em janeiro.

A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou no sábado que o mediador da organização na Síria, Staffan de Mistura, planeja juntar todas as partes do conflito sírio em 25 de janeiro em Genebra para iniciar o diálogo e tentar terminar com quase cinco anos de guerra civil.

"Eu não sei a razão que os levaram a fazer algo assim, mas o que eu sei é que se nós queremos chegar a uma solução pacífica para a Síria, nós devemos lidar com todos os grupos sírios cujas mãos não estão manchadas com terrorismo", disse Jubeir.

(Reportagem de Omar Fahmy)