Morte de menina aumenta a lista de tragédias em Carnavais

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A confirmação da morte menina Raquel Antunes da Silva, 11, após sofrer um acidente na dispersão do Sambódromo do Rio de Janeiro, no final da noite de quarta-feira (20), na abertura do Carnaval, é uma das tragédias que de tempos em tempos abalam as festividades, tanto na Marquês de Sapucaí quanto nos desfiles de São Paulo e nos dos blocos de rua.

Uma prima da criança, Edileuza Portelinha, 48, disse ao jornal Folha de S.Paulo nesta quinta (21) que a menina subiu no carro alegórico para tirar fotos. Sem perceber que a criança estava lá, deram partida no veículo, o que acabou causando o acidente.

Raquel morreu cinco anos depois da radialista Elizabeth Ferreira Joffe, na época com 55 anos, em um dos acidentes mais impactantes da história do Carnaval do Rio. Ela foi uma das 20 pessoas feridas no acidente com carro alegórico da escola de samba Paraíso do Tuiutí, em 26 de fevereiro de 2017.

O carro da escola manobrava para entrar na avenida quando imprensou um grupo de pessoas contra a grade que separa a pista da arquibancada. Com fraturas no fêmur e na bacia, Joffe foi internada e morreu cerca de dois meses depois do acidente.

A Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba), que organiza os desfiles do Rio, foi criticada à época pela decisão de não punir nenhuma das duas escolas envolvidas em acidentes no Carnaval daquele ano- uma parte do carro da Unidos da Tijuca tombou na avenida, deixando outras 20 pessoas feridas.

Dois anos depois, em 2019, um homem ficou ferido após ser prensado por duas partes do carro alegórico da Portela que empurrava.

Em 2003, a atriz Neuza Borges precisou ser internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) após cair de uma altura de quatro metros de um carro alegórico da escola de samba Unidos da Tijuca.

Sem vítimas, o fogo em um carro alegórico da escola Viradouro, em 1992, é apontado como um dos maiores incêndios da história dos desfiles da Marques de Sapucaí. O acidente ocorreu já no fim do desfile. A atriz Leila Amorim, que era destaque no carro, teve se jogar para não acabar queimada. Em 2020, o barracão da escola, na Cidade do Samba, pegou fogo.

Ainda no Rio, mas em Nova Friburgo, um acidente com um carro alegórico, durante o desfile da escola Imperatriz de Olaria no centro da cidade, provocou a morte de Alexandre da Silveira, 33, e feriu outras cinco pessoas, em 2007. Segundo o Corpo de Bombeiros, o carro bateu em um fio de alta tensão.

Em São Paulo, nos desfiles de blocos de 2018, o estudante universitário Lucas Antônio Lacerda da Silva, na época com 22 anos, morreu ao encostar em um poste na esquina das ruas da Consolação e Matias Aires (região central da cidade).

No poste em que Lucas foi eletrocutado haviam sido instaladas duas câmeras de segurança para monitorar a passagem de blocos de Carnaval. Quatro pessoas acabaram indiciadas na época.

Nos desfiles das escolas de samba paulistanas de 2006, Nani Moreira, rainha da bateria da Mocidade Alegre, precisou ser internada com queimaduras de segundo grau após sofrer um acidente durante o desfile da escola pelo Grupo Especial.

Enquanto ela realizava uma apresentação com fogo, rodeada por outros integrantes da escola, o enfeite que trazia na cabeça se incendiou. Com a ajuda de um bombeiro que invadiu a avenida, ela conseguiu se livrar do acessório e continuar sambando. Minutos depois, Nani foi atendida em uma ambulância e voltou ao desfile com o braço enfaixado. Por fim, acabou hospitalizada.

Em 2007, no Sambódromo da Anhembi, um jovem de 24 anos teve trauma de abdome após ser prensado por um carro alegórico articulado da escola Tom Maior, que se dividia em dois blocos. Ele precisou ser retirado do local desacordado, com sangue no rosto, e foi internado.

Longe da passarela do samba no Anhembi, na avenida Edgar Facó, em Pirituba (zona norte), 135 pessoas ficaram feridas com a queda de uma arquibancada durante desfiles das escolas do Grupo 3 de 1995. Os ferimentos foram leves.

Mudança Depois do acidente desta semana, que provocou a morte da menina no Rio de Janeiro, a pedido do Ministério Público, a Justiça fluminense determinou que todas as escolas do grupo de acesso, especial e mirins façam a escolta de seus carros até seus barracões. A decisão foi do juiz Sandro Espíndola, da 1ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso da Capital.

De acordo com a Promotoria, o desfile desta quarta violou normas que haviam sido determinadas pela Justiça com antecedência. Em março deste ano, o MP do Rio diz ter enviado aos organizadores do evento recomendações.

"Providenciar seguranças aos carros alegóricos para evitar que crianças e adolescentes se coloquem em riscos, especialmente, nos momentos de concentração e dispersão das escolas de samba", diz um dos itens do documento.

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