Morte de peão brasileiro nos EUA, a primeira desde 2019, gera comoção no mundo dos rodeios

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RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - O peão brasileiro Amadeu Campos Silva, 22, morreu neste domingo (29) depois de sofrer um acidente numa montaria em touros num rodeio em Fresno, na Califórnia (EUA). Foi a primeira morte de um peão brasileiro em grandes eventos do gênero desde 2019 e a primeira a ocorrer nos EUA, o que gerou comoção no setor.

Considerado um dos mais promissores competidores do país, ele participava do Velocity Tour, espécie de divisão de acesso da PBR (Professional Bull Riders), circuito que reúne os principais peões do mundo e distribui os maiores prêmios, quando se acidentou.

Natural de Altair (a 466 km de São Paulo), o peão foi pisoteado pelo touro que montava, em uma das suas primeiras provas após ter ficado oito meses afastado das competições em recuperação de uma lesão. A morte também foi a primeira envolvendo um competidor brasileiro na PBR, que realiza o campeonato na América do Norte desde 1994.

A PBR informou que o competidor, que faria 23 anos nesta quarta-feira (1), ainda chegou a ser encaminhado ao Community Regional Medical Center em Fresno, onde morreu.

“Nosso coração se parte pela família e amigos de Amadeu. Aos 22 anos, ele era um competidor promissor, vindo para os EUA após competir na PBR Brasil em 2017 e 2018 para perseguir seu sonho de um campeonato mundial”, diz trecho de comunicado assinado por Sean Gleason, CEO da PBR.

Em 2019, Amadeu foi vice-campeão da final brasileira, ano em que estreou nos EUA. Já em 2020, chegou à final mundial da PBR.

“O coração dói demais quando uma fatalidade como essa acontece. Que Deus console a família e receba esse guerreiro no céu”, disse numa rede social o tricampeão mundial pela PBR e responsável por abrir as portas aos peões brasileiros nos EUA, Adriano Moraes.

Também competidor, João Ricardo Vieira disse que os peões, quando saem de casa, não sabem se irão voltar. “Quando acenamos a cabeça nos bretes [local de onde partem as montarias] não sabemos se iremos fazer isso outra vez. Amadeu Campos Silva, um anjo que se foi, morar com Deus”, disse ele em sua rede social.

A competição nos EUA é objeto de desejo dos peões brasileiros por conta da elevada premiação, que em etapas decisivas pode chegar a US$ 300 mil (R$ 1,54 milhão) numa prova. Como exemplo, em sua carreira o tricampeão Silvano Alves acumulou US$ 6,21 milhões (R$ 31,9 milhões, ao câmbio atual) em prêmios, de acordo com a PBR. Outros três brasileiros estão no top 10 de todos os tempos.

Na atual temporada, em quatro eventos, Amadeu tinha amealhado US$ 4.323 (o equivalente a R$ 22.220 ao câmbio desta terça-feira). Em 2020, ficou em 42º lugar na classificação, com um total de US$ 31.425 (R$ 161.524).

A morte gerou ainda mais comoção no meio que o habitual também por ter ocorrido fora do país e por ser a primeira de um peão brasileiro em grandes eventos nos últimos dois anos.

Desde 2015, ao menos 10 peões morreram em arenas brasileiras, em rodeios em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraná, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Rondônia.

Em 2019, foram pelo menos três, em Brejetuba (ES), Pirajuba (MG) e Costa Marques (RO). Em eventos da PBR brasileira, o último registro de óbito é de 2018, quando Giliard Antonio, 24, morreu em Maringá. No mesmo ano, Guaimbê (SP) e Paranaíba (MS) também registraram mortes.

O circuito mundial deste ano é liderado pelo brasileiro José Vitor Leme, atual campeão, que conquistou US$ 395 mil em premiações (R$ 2,03 milhões), seguido pelo também brasileiro Kaique Pacheco, com US$ 201 mil (R$ 1,03 milhão). Outros três peões do país estão entre os dez mais bem colocados.

Em 27 edições realizadas até 2020, competidores brasileiros saíram vitoriosos em 11 temporadas, quatro a menos que peões dos EUA, que amealharam 15 títulos. Houve, ainda, um título obtido por um australiano, em 1998.

Nos EUA, a morte foi a primeira na PBR desde janeiro de 2019, quando o americano Mason Lowe morreu numa competição em Denver.

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