Morte por varíola dos macacos no Brasil é a primeira noticiada fora da África

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A morte de um paciente por varíola dos macacos em Minas Gerais foi a primeira relatada fora da África. Até esta quinta (28), cinco óbitos haviam sido confirmados pela doença no mundo, mas todos estavam concentrados no continente africano, segundo balanço oficial da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Também nesta sexta (29), a Espanha anunciou sua primeira morte associada à doença no país --que seria também a primeira noticiada no continente europeu. Nenhum dos óbitos --do Brasil e da Espanha-- haviam sido incluídos no painel da OMS sobre a varíola dos macacos até a tarde desta sexta.

A entidade também não se manifestou sobre as mortes até a publicação desta reportagem. Como a última atualização da organização foi na quinta, outros casos podem não ter sido computados.

Para Julio Croda, médico infectologista e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, a morte tem um significado internacional por ter sido a primeira fora da África. "Não tem uma relevância só local. Tem também uma relevância mundial."

Na última quarta (27), Tedros Adnahom, diretor-geral da OMS, afirmou que em torno de 10% dos pacientes em todo o mundo -já são mais de 21 mil casos em 79 países, segundo a organização- precisaram de atendimento médico para amenizar os sintomas da varíola dos macacos.

"Este é um surto que pode ser interrompido, se os países, comunidades e indivíduos se informarem, levarem os riscos a sério e tomarem as medidas necessárias para interromper a transmissão e proteger os grupos vulneráveis", afirmou.

A doença foi classificada pela organização como emergência pública de preocupação global. A entidade já declarou que considera a situação do Brasil para a doença como alarmante.

Até esta quinta, o Brasil já registrava 1.066 diagnósticos confirmados da doença, conforme o Ministério da Saúde. O governo federal anunciou a criação de um comitê de emergência para a varíola dos macacos, que foi ativado nesta sexta, e trata a varíola dos macacos como um surto.

Para especialistas, a morte no Brasil acende um alerta para necessidade de conter o aumento de casos. "Temos que intensificar os esforços para conter essa doença", diz Clarissa Damaso, virologista da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e assessora do comitê da OMS para pesquisa com vírus da varíola.

A varíola dos macacos é causada pelo monkeypox, um vírus do gênero orthopoxvirus --da qual também faz parte o patógeno que provoca a varíola, doença erradicada em 1980.

Uma das principais estratégias atuais para barrar a disseminação da doença envolve evitar contatos sexuais com desconhecidos, já que grande parte das infecções estão sendo transmitidas dessa forma.

A vacinação de públicos de maior risco, como profissionais de saúde que manipulam o vírus, e de pessoas que têm contatos com pacientes infectados também é uma das formas para barrar a evolução do surto.

Nesta sexta, após a confirmação da primeira morte, o Ministério da Saúde anunciou a encomenda de 50 mil doses de vacina contra a varíola dos macacos. A expectativa é de que cerca de 20 mil doses cheguem em setembro e o restante em outubro.

A pasta afirma que o objetivo é vacinar os profissionais de saúde que lidam diretamente com amostras biológicas --como aqueles que trabalham em laboratórios--, e pessoas que tiveram contato com os infectados.

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