Mortes em gruta de Altinópolis foram fatalidade, diz dono da escola de bombeiros civis

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RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Dono da escola de bombeiros civis que ofereceu o treinamento na gruta Duas Bocas, em Altinópolis (a 333 km da capital), onde nove pessoas morreram no último domingo (31), o empresário Sebastião de Abreu falou que a tragédia foi uma fatalidade e que era o primeiro treinamento do grupo em caverna.

Ele prestou depoimento nesta sexta-feira (5) em Altinópolis, cinco dias após as mortes. Além dele, outros 11 bombeiros civis, todos sobreviventes do acidente, foram à cidade para prestar depoimento nesta sexta.

A Polícia Civil investiga a tragédia como homicídio e lesão corporal culposos (quando não há a intenção de matar ou ferir).

Num depoimento de pouco mais de meia hora, Abreu, dono da Real Life, disse que a estrutura da gruta não foi mexida e que houve vistoria antes de os alunos serem levados para o local.

Parte do teto da gruta desmoronou no início da madrugada de domingo, soterrando parte do grupo de 28 bombeiros civis que participavam do treinamento.

Os corpos foram encontrados a uma profundidade de 1,5 m. A partir do encontro do primeiro, não foi tão difícil chegar aos demais. As vítimas tinham entre 18 e 53 anos.

Entre o desabamento e o encontro do último corpo se passaram 17 horas e 30 minutos.

Entre os mortos está Celso Galina Junior, 30, que era o responsável pelo treinamento, de acordo com Abreu. Era, segundo ele, a primeira vez que o grupo fazia treinamento em caverna.

"Na verdade, esse treinamento seria específico para Batatais [cidade de origem do instrutor e de parte dos alunos]. Lá em Batatais ele tinha uma sede de bombeiros voluntários civis. Como fizeram muito trabalho neste ano, a prefeitura cedeu a sede, ganharam viatura e tal. Então como tem muita gruta, muita cachoeira na região, ele achou necessidade de dar esse treinamento para os funcionários deles, entre aspas, que seriam ali do comando dele", afirmou Abreu à imprensa após deixar a delegacia.

O depoimento de Abreu estava marcado inicialmente para a última terça (2), mas foi adiado a pedido de sua defesa.

Ele disse ainda que Galina Junior fez vistoria na caverna e tinha qualificação. Já sua defesa afirmou que o bombeiro morto explorava a marca da escola, em formato de parceria, e dividia os lucros com Abreu.

Segundo a polícia, os bombeiros que prestaram depoimento no decorrer do dia foram questionados sobre o trajeto feito no treinamento, detalhes de como foram as aulas, se houve análise de risco da caverna e como estava o clima nas horas que antecederam a tragédia.

Além dos nove mortos, outras duas pessoas sofreram ferimentos graves e seguem internadas. Wallace Ricardo da Silva, que é de Batatais, está no HC (Hospital das Clínicas) de Ribeirão Preto, enquanto Antônio Marcos Caldas Teixeira, de Franca, está internado na Santa Casa de Batatais.

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