Mortes no Alemão: corpos de PM e de duas mulheres serão enterrados neste sábado

Os corpos do policial militar Bruno de Paula Costa, de Letícia Marinho Sales e de Solange Mendes da Cruz, serão enterrados neste sábado (23). Eles estão entre os 18 mortos desde a operação realizada em conjunto pelas polícias Civil e Militar na última quinta-feira (21) no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio.

Bruno e Letícia foram mortos ainda nas primeiras horas da ação na comunidade, que teve início na manhã de quinta-feira e se estendeu por cerca de 13 horas. Já Solange morreu no dia seguinte, quando a polícia manteve o patrulhamento ostensivo em pontos da região e foram registrados novos confrontos.

O cabo Bruno, de 38 anos, chegava para trabalhar na base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Nova Brasília, onde era lotado, quando foi ferido por dois disparos: um no pescoço e outro nas costas. O militar foi socorrido por colegas e levado para o Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha, mas chegou morto à unidade de saúde.

O militar chegou a ser paraquedista e cabo no Exército antes de ingressar nas fileiras da PM fluminense, em 2014. A mulher, Lídia Costa, chegou a pedir que ele não ingressasse na corporação. Em vão. Sempre cauteloso e preocupado com os riscos, ele tomava cuidado para não ser reconhecido como policial militar, segundo Lídia. Ele deixa dois filhos. O velório é realizado nesta manhã no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, a partir das 9h.

A desempregada Letícia Marinho Sales, de 50 anos, foi atingida quando saía do Complexo do Alemão para voltar pra casa, na comunidade Beira-Rio, no Recreio dos Bandeirantes, local que fica a 30 quilômetros. Ela foi até a Vila Cruzeiro no dia anterior à operação para ajudar uma amiga pastora e visitar as filhas que moram na região.

Na quinta-feira, quando ela e o namorado, Denilson Glória, passavam pela Estrada do Itararé, uma das principais vias que corta a favela, o carro em que eles estavam foi atacado. Um tiro acertou o retrovisor do carro e em seguida bateu no peito de Letícia. Denilson acusa policiais militares pelo ataque. Ela foi levada para a UPA do Alemão. Entretanto, mas já chegou morta.

Mãe de três filhas, a mulher havia acabado de fazer um curso de vigilante para voltar ao mercado de trabalho. O velório será realizado nesta manhã no Cemitério do Caju, a partir das 11h.

Mais de 24 horas após o confronto que deixou 17 mortos no Complexo do Alemão, a comerciante Solange Mendes da Silva, de 49 anos, foi morta com um tiro ao ser atingida na cabeça, nessa sexta-feira (22). Segundo a PM, ela foi vítima de uma bala perdida quando bandidos teriam atacado PMs da UPP Nova Brasília, na Praça da Vivi.

A mulher foi ferida em uma das ruas da região conhecida como Caixa D’água. No momento em que ela foi baleada, PMs tentavam retirar barricadas colocadas por criminosos. Houve um ataque e a comerciante foi alvejada com um único tiro de fuzil na cabeça. Ela caiu nos pés de um militar. Segundo moradores, Solange estaria a caminho de um comércio para comprar ingredientes para preparar a refeição do dia na pensão da qual era dona.

Ela foi levada para o Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha, mas já chegou morta. Solange era casada e deixa dois filhos. Uma das mais antigas moradoras da região, ela também era educadora e ensinava moradores a ler e a escrever. O velório é realizado nesta manhã, no Cemitério de Inhaúma, desde as 8h, e o enterro será às 15h15.

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