'Mortes' no cadastro do SUS são fruto de trolls digitais que seguem Bolsonaro

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A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann, apareceu como morta no Sistema Único de Saúde no início do mês. Erros acontecem, faz parte. Depois apareceram ofensas no registro de Guilherme Boulos, ex-candidato a prefeito paulistano pelo PSOL, no mesmo banco de dados. Agora é Manuela D’Ávila, do PCdoB, que saiu como vice na chapa petista à presidência em 2018. Como Gleisi, registrada como tendo morrido logo após a eleição.

Estas mudanças, evidentemente, não são acidentais. São, isto sim, fruto da cultura dos trolls digitais que chegaram ao Planalto junto a Jair Bolsonaro. Formada em fóruns da internet como o 4chan, essa cultura trabalha com a manipulação das ferramentas digitais para criar problemas para quem será alvo de ataques. A única diferença é que a manipulação digital, agora, está acontecendo em bancos de dados públicos.

O problema é que esta manipulação não só atrapalha a vida — ela é também crime. A lei 9.983 de 2000, sancionada ainda no governo Fernando Henrique, estabelece que o funcionário público que altera os bancos de dados sob sua responsabilidade para beneficiar ou causar dano a terceiros pode ser condenado a uma pena de entre dois e 12 anos de reclusão.

A questão não para aí, ela também revela uma falta de compreensão profunda da coisa pública, uma dificuldade de distinguir o embate político do interesse do Estado. É tratar o adversário como inimigo e desdenhar da máquina que serve à população. É não compreender que algo como o banco de dados do SUS é um direito essencial da cidadania, algo que deve ser zelado com todo cuidado.

Não que esta incompreensão surpreenda. Afinal, não é o primeiro sinal de que as coisas de governo são tocadas com a displicência de um fórum adolescente da internet.

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