Mortes por chuvas na Europa chegam a 170, e sobreviventes temem rompimento de diques

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Illustration shows damage a visit to Pepinster, where heavy rainfall caused severe floods, Saturday 17 July 2021. Days of extreme weather has davestated parts of the East and South of Belgium. BELGA PHOTO NICOLAS MAETERLINCK (Photo by NICOLAS MAETERLINCK/BELGA MAG/AFP via Getty Images)
Ainda há centenas de desaparecidos, e o tom das autoridades alemãs é de lamento

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A busca de sobreviventes das inundações provocadas pelas chuvas sem precedentes na Europa, ocorridas nos últimos dias, continuam neste sábado (17), enquanto o número de mortes na Alemanha e na Bélgica, os dois países mais atingidos, subiu para 170. 

Ainda há centenas de desaparecidos, e o tom das autoridades alemãs é de lamento diante do pior desastre natural a atingir o país em mais de meio século. Ao menos 143 pessoas morreram na Alemanha, nos estados de Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado; outras 27 morreram na Bélgica. 

Em Wassenberg, perto de Colônia, 700 pessoas tiveram que deixar suas casas na noite de sexta-feira (16) devido ao risco de rompimento de uma barragem. Segundo o prefeito da cidade, os níveis de água têm baixado, mas ainda é muito cedo para declarar que os moradores estão fora de perigo, motivo pelo qual ele classificou o trabalho das autoridades locais de "cautelosamente otimistas". 

No oeste do país, perto da fronteira com a Bélgica, a barragem Steinbachtal continua sob risco de rompimento, e cerca de 4.500 pessoas foram obrigadas a abandonar a região. 

"Lamentamos com aqueles que perderam amigos, conhecidos, parentes", disse o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, durante uma visita a Erfstadt, na Renânia do Norte-Vestfália, onde ao menos 43 pessoas morreram. Segundo ele, ainda levará semanas até que todos os danos causados pelas inundações sejam avaliados, o que deve demandar vários bilhões de euros. 

Armin Laschet, premiê do estado e candidato à sucessão da primeira-ministra Angela Merkel, disse que deve iniciar nos próximos dias a articulação para viabilizar o apoio financeiro prometido aos afetados pela tragédia. Ele definiu o cenário como uma "catástrofe de magnitude histórica". De volta de uma viagem aos EUA, a líder alemã deve visitar a região neste domingo (18). 

Aos poucos, os moradores que tiveram que sair às pressas de suas casas ameaçadas pela água estão voltando, e muitos encontram um cenário desolador: casas destruídas, com paredes arrancadas pela força das enchentes, árvores caídas, veículos revirados, estradas e pontes intransitáveis e cortes no abastecimento de água potável e energia elétrica. 

Na Bélgica, foram confirmadas ao menos 27 mortes, e cerca de 103 pessoas ainda estão desaparecidas ou incomunicáveis. "Infelizmente, temos que presumir que esse número continuará a aumentar nas próximas horas e dias", disse o centro nacional de gerenciamento de crises por meio de um comunicado. 

A Holanda também foi atingida pelas fortes chuvas, mas até este sábado as autoridades não registraram mortes. Os serviços de emergência, no entanto, continuam em alerta máximo, pois o transbordamento de rios ainda ameaça cidades e vilas, principalmente na província de Limburg, no sul do país. 

Dezenas de milhares de moradores da região foram evacuados nos últimos dois dias, enquanto soldados, bombeiros e voluntários seguiram trabalhando freneticamente para reforçar diques e tentar conter, de alguma forma, as inundações. 

Além da tragédia imediata, as chuvas sem precedentes dispararam um alerta sobre o perigo das mudanças climáticas. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, o aumento das temperaturas em nível global gera um acúmulo de energia na atmosfera que se dissipa por meio de eventos climáticos extremos, que tendem a se tornar cada vez mais poderosos e mais frequentes. 

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