Mortes por Covid-19 dobram em três dias na Espanha e governo diz que doença ainda não atingiu pico

O Globo com agências internacionais

MADRI — A Espanha, em quarentena nacional há oito dias, superou nesta segunda-feira a marca de 2 mil mortes pela Covid-19. Desde ontem, 462 novos óbitos foram registrados no país, que já somam 33.089 contágios. Nas últimas 24 horas, 4.517 pessoas contrairam o novo coronavírus.

O número de vítimas vatais duplicou em apenas três dias. A Espanha é o segundo país mais afetado pela pandemia na Europa, atrás apenas da Itália, que já notificou mais de 5 mil mortos e quase 60 mil casos. O governo espanhol alertou que o pico da doença pode não ter sido atingido ainda, o que sinaliza a possibilidade de uma piora nas estatísticas nos próximos dias.

Até o momento, 3.355 se curaram da Covid-19 e 2.355 seguem internados em unidades de terapia intensiva. Fernando Simón, diretor de Emergências Sanitárias da Espanha, anunciou hoje que a porcentagem de pacientes críticos caiu de 15% para 13%, a despeito do aumento do número de casos.

— Isso dá certa esperança de que o vírus será contido — disse Simón.

Na última semana, a Espanha se mobilizou em diversas frentes para dar conta da demanda de pacientes: compra massiva de milhões de máscaras de proteção, contratação de 50 mil profissionais de saúde, uso das Forças Armadas e a a adaptação de hoteis para centros de atendimento para pacientes com sintomas leves.

A capital, Madri, é a região mais afetada do país e concentra 32% das infecções e 58% das mortes. O serviço municipal de funerais suspendeu o funcionamento nesta segunda-feira por não conseguir dar conta da demanda. Os moradores só podem, agora, apelar para serviços privados.

O governo, agora, se esforça para ampliar a distribuição de 640 mil testes rápidos pelo país. Em Barcelona, um abrigo será improvisado em um centro de convenções para moradores de rua. A gestão do espaço será da Cruz Vermelha.

Outro drama vivido pelo país é a vulnerabilidade de quem está na linha de frente da pandemia: dos 33 mil casos, 3.910 são profissionais de saúde. Sindicatos têm denunciado a falta de materiais de proteção. Casas de repouso também registraram dezenas de perdas entre idosos. O Exército foi convocado para desinfetar asilos.

O confinamento na Espanha está previsto para durar até pelo menos 11 de abril. Os 46 milhões de residentes só podem sair de casa para trabalhar ou realizar atividades essenciais, como comprar comida e medicamentos e passear com animais domésticos. Desde a declaração do estado de emergência, a polícia e a guarda civil espanholas prenderam 477 pessoas e apresentaram 50 mil denúncias de violações das restrições.

Os casos chegaram até mesmo à cúpula do governo. A vice-primeira-ministra da Espanha, Carmen Calvo, foi internada no último domingo com um quadro de infecçao respiratoria e aguarda o resultado dos testes do coronavírus, segundo informou o governo nesta segunda-feira. Carmen completará 63 anos em junho.

Além disso, a esposa do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, e dois ministros de seu gabinete testaram positivo para a Covid-19 nas últimas semanas.