Mortes por Covid-19 em março representam 30% dos óbitos por doenças no estado do Rio

Pedro Zuazo
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As 4.617 mortes causadas pelo novo coronavírus em março no estado do Rio de Janeiro representaram 30,3% do total de óbitos por causas naturais (mortes por doenças) no território fluminense, que foi de 4.515. Somente os meses de maio e dezembro do ano passado foram piores. O levantamento foi feito pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), com base nos dados do Portal da Transparência do Registro Civil.

No auge da 1ª onda da pandemia, em maio de 2020, os óbitos por Covid-19 chegaram a representar 33,4% dos óbitos por causas naturais no Rio. O percentual de mortes por Covid-19 já dava sinais de crescimento no último trimestre do ano passado. Em outubro, as vítimas fatais da pandemia responderam por 14,4% do total. Em novembro, o número subiu para 17,7%. Em dezembro, o novo coronavírus respondeu por 30,4% das mortes por doenças no estado.

Na avaliação do presidente da Arpen RJ, Humberto Costa, ao atingir 30,3% das mortes por doenças no estado, a Covid-19 quase dobra seu impacto no total dos óbitos naturais em relação a maio passado, até então o mês mais mortal.

— Os altos números de óbitos que vem sendo registrados nos Cartórios do Estado em meio a pandemia do Covid-19, confrontados com os dados da série histórica, apenas confirmam o grau de letalidade da doença. Neste cenário, fica cada vez mais evidente a importância do Portal da Transparência para a sociedade, e para que políticas públicas sejam implementadas, embasadas na representação dos dados que podem indicar crescimento ou queda no índice de mortes — afirma Costa.

Já o Brasil, que teve um total de 72.148 óbitos registrados por Covid-19 em Cartórios de Registro Civil até esta segunda-feira (12.04), também foi impactado pela triste marca que simboliza o impacto do vírus na história do País. A doença causada pelo novo coronavírus representou 48% do total de óbitos por causas naturais (mortes por doenças) no País, totalizadas em 171.211 até esta data.

Como O GLOBO mostrou na última quarta-feira, a taxa de crescimento populacional do Brasil está caindo não só pela explosão de mortalidade da pandemia, mas porque a natalidade no país está diminuindo. Demógrafos já começam a ver um efeito de um baby bust, o contrário do baby boom.

Em março de 2021 foram 13 nascimentos para cada 10 óbitos no país. Um ano atrás, quando a pandemia mal tinha chegado, essa taxa foi de 22 para 10. Nos primeiros 12 dias de abril, pela primeira vez, oito estados estão registrando menos nascimentos do que mortes, apesar de os dados não estarem consolidados. O levantamento foi feito com base em dados de cartórios da Arpen (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais).

O Rio foi o estado que mais sofreu esse efeito ao longo da pandemia. Teve redução de população, em vez de aumento, em 3 meses (maio e dezembro de 2020 e janeiro de 2021), e caminha para que isso ocorra uma quarta vez.