Mortes por Covid-19 nas penitenciárias de SP aumentam 69% em 12 dias

ROGÉRIO PAGNAN
*ARQUIVO* Mortes por Covid-19 nas penitenciárias de SP aumentam 69% em 12 dias. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Subiu de 13 para 22 o número de mortes no sistema penitenciário de São Paulo em razão da Covid-19 em menos de duas semanas, um aumento de 69%. A quantidade de funcionários mortos em decorrência da doença causada pelo Sars-CoV-2 passou de 6 para 10, e a de presos, de 7 para 12, segundo dados da Secretaria da Administração Penitenciária.

Os dados são referentes ao período de 9 a 20 de maio. Isso significa que o sistema registrou, em média, três mortes a cada quatro dias, de presos ou funcionários. Até o dia 8, haviam sido registradas 13 mortes. A primeira morte no sistema ocorreu em 19 de abril.

O sistema paulista tem cerca de 223 mil presos e 35 mil funcionários.

As medidas de prevenção e combate ao novo coronavírus foram iniciadas pelo governo paulista em 15 de março, espontâneas ou por determinação judicial, entre proibição de acesso de visitas aos presos, suspensão de entrega presencial de produtos (os chamados jumbos) e da saída de presos para trabalho ou para visitas a familiares (as saidinhas).

O número de unidades prisionais com funcionários afastados por suspeita de contaminação (46) é mais do que o dobro das unidades com presos isolados (20). Como em 15 delas delas há ambos os casos, no total são 51 unidades algum tipo de alteração de rotina.

A quantidade de unidade afetadas representa 29% das 176 penitenciárias e centros espalhados pelo Estado. Esse número é, porém, menor do que os 35% verificados no dia 8. Isso ocorre também porque são 171 os agentes afastados nesta terça (21), contra os 232 no início do mês. Esses dados mudam diariamente.

Já o número de presos em isolamento aumentou em dez casos, de 79 para 89. Eles estão em 20 unidades (antes eram 27).

O presidente do Sifuspesp (Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo), Fábio Cesar Ferreira, o Jabá, disse que, com as novas mortes, aumentou a preocupação da classe, em especial no interior do estado, onde havia relato de resistência, por parte de funcionários, até mesmo ao uso de equipamentos de segurança.

Ainda segundo ele, a luta agora é para obtenção de testes rápidos para os funcionários. "A gente tem até uma ação judicial para isso, com audiência marcada. O governo liberou para a Polícia Civil, para a PM, mas não liberou para gente", disse ele.

Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária, o monitoramento do estado de saúde da população carcerária e dos funcionários está nos planos. "A testagem de servidores e da população carcerária é providência já em planejamento por parte de equipe técnica."