Mortes provocadas pelo coronavírus superam 1.100 na China, mas novos casos registram queda

Por Ludovic EHRET
1 / 2
Pessoal médico em centro da Cruz Vermelha em Wuhan, China, em 25 de janeiro de 2020

O número de mortes provocadas pela epidemia do novo coronavírus na China chegou a 1.113 no início desta quarta-feira (12), mas o balanço de novos casos de contágio registrou queda pelo segundo dia consecutivo, o que levou o presidente chinês Xi Jinping considerar uma "evolução positiva".

O país não deve, no entanto, "baixar" a guarda nesta "grande guerra", disse Xi, durante uma reunião das lideranças do Partido Comunista, informou a televisão pública da CCTV.

Em Genebra, Michael Ryan, chefe do departamento de emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS), declarou horas depois que acreditava "que é cedo demais para tentar prever o (...) fim dessa epidemia".

Já o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que "o número de novos casos relatados na China se estabilizou durante a última semana", mas o dado "deve ser interpretado com extrema cautela". "Essa epidemia pode ir em qualquer direção", alertou Tedros.

Autoridades chinesas anunciaram que 1.113 pessoas morreram na China continental (que exclui Hong Kong e Macau) devido à epidemia de COVID-19. O número de infectados chegou a 44.653. Esses falecimentos representam 99,9% dos óbitos registrados no mundo pela epidemia de COVID-19.

A maioria das mortes e casos foi registrada na província de Hubei, que tem Wuhan como capital, o epicentro da epidemia. Quase 56 milhões de pessoas foram colocadas em isolamento nesta região.

Um fato positivo é que o número de novos casos registrou queda em Hubei durante dois dias consecutivos, assim como fora desta província na última semana, informou a Comissão Nacional de Saúde da China.

"Graças ao trabalho árduo, a epidemia tem uma evolução positiva e o trabalho de controle e prevenção deu resultados. Não foi fácil", disse o presidente chinês.

Zhong Nanshan, um renomado cientista da Comissão de Saúde, estima que a epidemia deve atingir o pico "em meados ou no final de fevereiro".

- Contágios em cruzeiro aumentam -

Fora da China continental, o vírus matou duas pessoas, uma nas Filipinas e outra em Hong Kong. Mais de 400 casos de contaminação foram confirmados em 30 países e territórios.

Vários países proibiram a entrada de pessoas procedentes da China. As principais companhias aéreas suspenderam os voos com destino e a partir do país. O maior grupo de casos fora da China está no cruzeiro 'Diamond Princess', colocado em quarentena na costa do Japão.

Exames de laboratório confirmaram 39 novos contágios entre as pessoas a bordo, o que eleva a 174 o total de infectados.

O novo coronavírus gerou preocupação na União Europeia, cujos ministros da Saúde devem se reunir na quinta-feira em Bruxelas para discutir o assunto.

- "Repercussão negativa" -

A epidemia ou o temor internacional de contágio levou os organizadores do World Mobile Congress (WMC), salão mundial da telefonia móvel de Barcelona, a cancelar nesta quarta este grande evento do setor, que estava previsto para entre 24 e 27 de fevereiro na cidade espanhola.

"O WMC Barcelona 2020 foi cancelado porque a preocupação mundial com a epidemia do coronavírus, a preocupação sobre as viagens e outras circunstâncias tornam impossível a organização" do congresso, afirmou em nota a GSMA (órgão comercial que representa os interesses das operadoras de redes móveis em todo o mundo), responsável pelo evento.

O cancelamento foi um duro golpe para Barcelona, que contava com receber mais de 110.000 visitantes, faturar 492 milhões de euros e gerar mais de 14.000 empregos.

Mais cedo, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) anunciou o adiamento do Grande Prêmio da China de Fórmula 1, previsto inicialmente para ser realizado em 19 de abril, em Xangai.

Em Paris, o estilista chinês Jarel Zhang anunciou o cancelamento de seu desfile em março na Semana de Moda de Paris "para garantir a boa saúde e segurança dos dois países e reduzir o número de contatos".

Dado o peso econômico e a posição da China nas redes de suprimento globais, o vírus está afetando empresas em vários setores ao redor do mundo.

Diversos países proibiram o desembarque de passageiros da China, enquanto as principais companhias aéreas suspenderam voos para esse país.

A Administração de Aviação Civil da China (CAAC) pediu nesta quarta-feira que essas restrições sejam levantadas, apontando seu "impacto negativo" no setor aéreo e na economia mundial, segundo a agência chinesa Xinhua.

Além de isolar Hubei, as autoridades chinesas restringiram movimentos em outras cidades distantes do epicentro em seus esforços sem precedentes para conter o vírus.

A economia nacional permanece em grande parte paralisada, apesar do tímido retorno ao trabalho nesta semana. Muitos alunos acompanham as aulas através da internet e muitos funcionários foram orientados a trabalhar de casa.