Mortes são uma realidade e não podemos parar país por isso, diz Bolsonaro

Lisandra Paraguassu
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Presidente Jair Bolsonaro em Brasília

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer nesta quinta-feira que as mortes pela pandemia de Covid-19 são uma realidade e a defender que não é possível parar o país por isso.

Em discurso em um evento no Paraná, Bolsonaro ao agradecer os caminhoneiros por não terem aderido à greve marcada para a última segunda-feira, lembrou que o movimento iria afetar a todos em um momento em que a pandemia ainda tem impacto sobre o país.

Em seguida, no entanto, afirmou que "alguns números não são confiáveis" e que não se pode deixar de enfrentar os problemas, já que "todos somos passageiros aqui".

De acordo com dados oficiais do Ministério da Saúde do governo Bolsonaro, 227.563 morreram por causa da Covid-19 no Brasil e mais de 9,3 milhões foram infectadas pela doença.

"Todos nós iremos embora um dia. Obviamente lamentamos as mortes", disse. Depois de citar que sua mãe, de 93 anos, possivelmente partiria em breve, o presidente afirmou que certamente irá chorar, "como todos que perdem uma mãe, um pai", mas completou.

"Mas é uma realidade e não podemos parar o Brasil por isso."

Bolsonaro voltou a dizer que foi impedido de agir no combate ao vírus. Dessa vez, não citou diretamente a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem acusa de tê-lo impedido de tomar decisões.

Na verdade, a decisão do STF deu também a governadores e prefeitos o direito e o dever de decidir sobre quarentenas, fechamento de comércio, empresas e escolas, etc, e outras ações, mas não tirou poder de decisão do governo federal.

Depois de alguns meses fazendo publicamente a acusação, Bolsonaro foi desmentido em nota divulgada pelo STF e, nesta semana, durante cerimônia de abertura do ano do Judiciário, pelo presidente da corte, Luiz Fux, em discurso feito ao lado do presidente.

Durante a pandemia, Bolsonaro já respondeu "e daí?" quando indagado sobre o elevado número de mortos na pandemia no Brasil --o segundo maior do mundo atrás apenas dos Estados Unidos-- e recentemente afirmou que o Brasil precisa deixar de ser um país de "maricas" e enfrentar o vírus de peito aberto.

O presidente raramente usa máscara em público --não usava a proteção no evento desta quinta-- e constantemente promove aglomerações, indo contra as recomendações de autoridades de saúde de todo o mundo para frear a disseminação do coronavírus.