Moscou promete concluir gasoduto Nord Stream apesar de sanções

Navio de oleoduto da empresa suíça Allseas, em 15 de novembro de 2019 na costa da ilha de Ruegen, no mar Báltico

A Rússia afirmou nesta quarta-feira sua intenção de concluir o projeto de gasoduto Nord Stream 2, que deve fornecer gás russo à Europa através do Báltico, apesar das sanções adotadas pelos Estados Unidos.

"Partimos do princípio que o projeto será concluído", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a repórteres depois que o Congresso americano impôs sanções contra ele.

Denunciadas pela União Europeia, essas medidas de retaliação visam as empresas que colaboram no projeto.

Com mais de 80% construído, o gasoduto submarino que conecta a Rússia à Alemanha, deve entrar em serviço no final de 2019 ou início de 2020. Espera-se que dobre o fornecimento de gás natural russo para a Europa Ocidental via Alemanha, principal beneficiário do projeto.

Mas para Washington e alguns países europeus - Ucrânia, Polônia e Países Bálticos - o gasoduto aumentará a dependência dos europeus do gás russo, fato que Moscou poderia usar para exercer pressão política.

As sanções "não agradam nem Moscou nem as capitais europeias. Nem Berlim, nem Paris", insistiu Dmitri Peskov, denunciando "uma óbvia violação do direito internacional e um exemplo ideal de concorrência desleal".

Um dos principais alvos das sanções é a Allseas, uma empresa suíça proprietária do Pioneering Spiritque, o maior navio de instalação e remoção de grandes plataformas de petróleo e gás e instalação de oleodutos, contratada pela Gazprom russa para construir a seção offshore.

O gasoduto representa um investimento de quase 10 bilhões de euros, metade financiado pela Gazprom e a outra metade por cinco empresas europeias (OMV, Wintershall Dea, Engie, Uniper e Shell).