Mostra em Niterói reúne bonecas de molduras acrílicas que lembram pinturas

A vida criativa de Fefa Guedes sempre girou em torno de bonecas. A coleção criada por ela e mantida em sua casa, em São Francisco, é uma prova disso. As bonecas estão também na fase de artista têxtil de Fefa, como mostram as peças que compõem a mostra “Tecituras afetivas”, que será aberta neste sábado no Shopping Futura, em Pendotiba. A exposição une corte, costura, arte e o imaginário. Inspirada na artista americana Patti Medaris Culea, que faz bonecas de tecido, a niteroiense exibe 16 peças de molduras acrílicas como verdadeiros quadros em tecido.

Oportunidade: Prefeitura de Niterói amplia programa Aprendiz Musical para o início de 2023

História do Brasil: Pesquisadora une a literatura ao universo lúdico para dar luz a personagens e fatos não estampados em livros oficiais

— Tudo começou em 2006, quando um dia, animada com a Copa do Mundo, decidi customizar uma camisa do Brasil. Logo depois, resolvi me inscrever num curso de corte e costura e nunca mais parei — conta.

Foi assim que Fefa iniciou sua nova trajetória artística, que transforma tecidos em verdadeiras obras de arte.

— Quando comecei, fiquei um pouco tensa com a precisão milimétrica dessa técnica. Sofri muito com cada canto e cada ponta que, na minha opinião, nunca estavam perfeitos. Decidi seguir um caminho mais leve e aproveitei a técnica do bordado livre a máquina para desenhar sobre o tecido. Assim alcancei o resultado que desejava —diz ela, que faz sua primeira exposição, após 16 anos de estudo.

O curador da mostra, Bê Sancho, explica que as bonecas, por eles carinhosamente chamadas de “meninas”, nunca estão sós, são apresentadas em grupos, o que, segundo ele, revela um forte sentido de pertencimento.

— Os trabalhos são geralmente cerzidos em linha preta, porém a artista surpreende nossos olhares quando adiciona cores e objetos pontuais que alteram a vibração da obra, levando-nos a acionar nossas memórias e os afetos. Há algo de ancestralidade na temática adotada, uma vez que o feminino se impõe como elemento central do trabalho — analisa o curador.

Sancho afirma que Fefa não se limita à costura e que suas pinturas em aquarela permitem que o público entre numa outra dimensão.

— Sabe aquela história do tempo da vovó, quando a roupa era costurada em casa? Em “Tecituras afetivas”, podemos acionar lembranças daquele tempo, do nosso tempo e ainda construir as narrativas que nossa imaginação permitir. É disso também que se trata a exposição: soltar a imaginação, cultivar bons afetos e saber que não estamos sozinhos — conclui.

SIGA O GLOBO BAIRROS NO TWITTER (OGLOBO_BAIRROS)