Entenda o motim dos policiais que levou Cid Gomes a ser baleado

Luiza Missi
·6 minuto de leitura
O senador foi baleado duas vezes na altura do peito (Foto: Reprodução/Rede Globo)
O senador foi baleado duas vezes na altura do peito (Foto: Reprodução/Rede Globo)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Governo chegou a fazer acordo com grevistas, mas grupo não aceitou

  • O senador Cid Gomes avançou com retroescavadeira sobre homens encapuzados que o balearam

O senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) foi atingido por dois tiros no peito na última quarta-feira (19) após tentar interromper, com uma retroescavadeira, um motim de policiais na cidade de Sobral. Esse foi o episódio mais recente em uma manifestação que já dura mais de dois meses – entenda como e quando começou o protesto dos policiais militares do Ceará.

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A primeira manifestação da categoria aconteceu no dia 5 de dezembro de 2019, quando policiais e bombeiros militares fizeram um protesto na Assembleia Legislativa do Ceará. A reivindicação deles era de aumento salarial, e os deputados da base do governador Camilo Santana (PT) anunciaram que, no começo deste ano, apresentariam uma proposta de reestruturação da carreira detalhando os ajustes no salário nos próximos anos.

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A proposta foi feita no dia 31 de janeiro. De acordo com o governo do Estado, até 2022 o salário dos soldados (hoje R$ 3,2 mil) seria progressivamente ajustado até chegar a R$ 4,2 mil. Os manifestantes não aceitaram a proposta: no dia 6 de fevereiro, quando a proposta chegaria à Assembleia Legislativa, fizeram um novo protesto em frente à ALECE, bloqueando o tráfego na região.

Duas reuniões foram feitas para negociar o reajuste, nos dias 10 e 13 de fevereiro. Na segunda, policiais e governo chegaram a um acordo: o salário dos soldados aumentaria gradativamente até chegar a R$ 4,5 mil em 2022. Contudo, nem todos os policiais aceitaram a proposta: por meio das redes sociais, um grupo se articulou para organizar novos atos de protesto e tentar paralisar as atividades da categoria.

Antevendo a possibilidade de paralisação, o Ministério Público do Ceará pediu à Justiça que decretasse a ilegalidade dos motins policiais, sob a pena de multa. O pedido foi atendido pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) no dia 17 de fevereiro. A decisão permitiu a prisão dos agentes de segurança pública em casos de greve ou manifestações.

No dia 18 de fevereiro, três policiais militares foram presos após cercarem uma viatura e esvaziarem os pneus do veículo. A Secretaria da Segurança Pública do Ceará interpreta essas ações como "vandalismo" e "motim" e as entende como uma tentativa de paralisar as atividades da categoria.

Mesmo após as prisões, os policiais grevistas continuaram com os atos de protesto. No dia 19 de fevereiro, homens encapuzados invadiram batalhões por todo o Estado e interferiram com a ação dos policiais militares. O governador Camilo Santana solicitou que os policiais civis assumissem a função de patrulhamento das ruas.

Na cidade de Sobral, o motim foi mais longe: homens encapuzados e armados ordenaram que comerciantes fechassem suas lojas. Diante da situação, o senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) anunciou que estava se dirigindo ao local e pediu que a população o recebesse no aeroporto:

Chegando ao local onde os manifestantes ocuparam um batalhão da PM, ele os intimou a saírem do local. Em um vídeo, é possível ouvir um dos homens encapuzados (que a Secretaria de Segurança Pública investiga se são policiais) dizendo que o senador não tem autoridade para tirá-los de lá:

Após a recusa dos manifestantes em saírem do local, Cid Gomes avançou com uma retroescavadeira sobre o grupo:

Nas redes sociais, as opiniões sobre o episódio se dividem:

Cid Gomes foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva do Hospital do Coração de Sobral, e na noite de quarta-feira já estava lúcido e respirando sem ajuda de aparelhos. Na manhã desta quinta-feira (20), ele recebeu alta da UTI e foi encaminhado à enfermaria. Logo após os disparos que feriram o senador, o batalhão da PM foi desocupado.

Confira aqui uma série de perguntas e respostas sobre o assunto:

O que querem os PMs?

Pedem que o governo refaça a proposta de reestruturação salarial enviada na terça (18) para a Assembleia. O projeto de lei prevê aumento de salário para os soldados da PM e para bombeiros de R$ 3.475 para R$ 4.500, com reajuste parcelado em três vezes até 2022.

Os PMs demandam que o pagamento seja feito em apenas uma parcela e que seja apresentado um plano de carreira para a categoria

Quando o motim começou?

Na tarde de terça (18). Desde a madrugada de quarta (19), pessoas encapuzadas passaram a invadir quartéis. Em um deles, em Fortaleza, dez viaturas foram levadas.

Em outro, carros e motos tiveram os pneus esvaziados. Três policiais militares foram presos e 261 estão sendo investigados por participação nos atos

PMs podem fazer greve?

Não. Greve é proibida para agentes das polícias Civil, Militar, Federal, Rodoviária Federal, Ferroviária Federal e Corpo de Bombeiros

Qual o cenário político no estado atualmente?

O principal pré-candidato da oposição à prefeitura de Fortaleza na eleição de 2020 é o deputado federal Capitão Wagner (Pros), ex-integrante da PM e que, entre 2011 e 2012, liderou greve dos policiais militares quando Cid Gomes era o governador.

Hoje, a prefeitura da capital é comandada pelo PDT de Ciro e Cid Gomes, com Roberto Cláudio, mas ele está em segundo mandato. Ainda não há um nome de consenso entre os governistas para a disputa. O governo é comandado por Camilo Santana (PT), aliado de Ciro e Cid Gomes.