Motivações de ataques no Canadá seguem desconhecidas após a morte do último suspeito

As motivações de uma onda de esfaqueamentos que deixou dez mortos e 18 feridos no Canadá continuam sendo um mistério nesta quinta-feira (8), um dia após a morte do último suspeito.

Durante três dias, centenas de policiais procuraram Myles Sanderson, suposto autor dos ataques, junto com seu irmão Damien Sanderson, encontrado morto na segunda-feira.

Myles Sanderson foi preso na quarta-feira na província de Saskatchewan, perto da cidade de Rosthern, cerca de 100 quilômetros a oeste do local dos atentados, ocorridos no domingo na comunidade James Smith Cree e na cidade de Weldon.

Pouco depois de sua prisão ele teve um ataque de pânico, afirmou à imprensa a agente da polícia canadense Rhonda Blackmore, sem mais explicações. "Ele foi declarado morto no hospital", acrescentou.

No final da tarde de quarta-feira, a polícia anunciou nas redes sociais que Myles Sanderson havia sido “localizado e preso”, e agradeceu aos cidadãos por terem fornecido “informações relevantes” que levaram à sua detenção.

As autoridades temem, no entanto, que nunca se saiba o que causou esses ataques, que ocorreram em um vasto território rural.

"Agora que Myles está morto, talvez nunca possamos entender seus motivos", disse Blackmore, acrescentando que mais de 120 depoimentos de parentes e testemunhas foram ouvidos, sem pistas.

Acredita-se que Myles Sanderson e seu irmão Damien sejam responsáveis pelo massacre.

Na segunda-feira, o corpo de Damien, de 31 anos, foi encontrado em um campo na comunidade indígena Cree. As autoridades disseram que ele provavelmente foi morto por seu irmão Myles, de 32 anos.

Myles Sanderson também era procurado por violar sua liberdade condicional em maio, depois de cumprir parte de uma sentença por agressão e roubo.

- "Por que aconteceu?" -

Antes que a prisão do suspeito fosse anunciada, algumas famílias falaram publicamente sobre seu "pesadelo" pela primeira vez desde domingo.

As autoridades acreditam que algumas das vítimas estavam na mira dos suspeitos e outras foram alvejadas aleatoriamente.

Nove dos dez mortos pertenciam à comunidade indígena de James Smith Cree, e o décimo era da cidade vizinha de Weldon.

O Saskatchewan Coroner's Service divulgou informações dos mortos: seis homens e quatro mulheres com idades entre 23 e 78 anos. Entre os feridos está "um jovem adolescente" e os 17 restantes são adultos, informou a Polícia Federal.

Mark Arcand disse que os assassinatos, que tiraram a vida de sua irmã Bonnie Burns, 48, e do filho Gregory Burns, 28, foram um "ato horrível e sem sentido".

"Como isso aconteceu com nossa família? Por que aconteceu? Não temos respostas. Só sabemos que nossos parentes foram mortos em sua própria casa, no quintal."

Arcland contou como sua irmã correu para fora de sua casa para ajudar seu filho, que sangrou até a morte na garagem depois de ser esfaqueado repetidamente.

"Ela foi esfaqueada duas vezes e morreu ao lado dele", disse. "Ela estava tentando proteger seu filho".

Até agora, os parentes optaram por se expressar quase que exclusivamente nas redes sociais, pedindo que a mídia fique longe de sua comunidade de 3.400 pessoas.

No Facebook, Dillon Burns disse que sua mãe Gloria morreu "protegendo um jovem enquanto ele estava sendo atacado", acrescentando que "ela teria feito o mesmo por todos nós... (incluindo) o homem que tirou sua vida".

Na noite de quarta-feira, 10 pacientes permaneciam hospitalizados e dois em estado grave, segundo as autoridades de saúde.

Quase todas as vítimas são autóctones, uma população que representa cerca de 5% dos 38 milhões de canadenses, e que vivem em comunidades muitas vezes afetadas pelo desemprego e pela pobreza.

Os indígenas também são mais vítimas de homicídio. Nos últimos anos, o Canadá enfrentou uma sucessão de atos de violência incomuns.

O país enfrenta "tragédias que se tornaram muito frequentes", disse o primeiro-ministro Justin Trudeau.

Em abril de 2020, um homem que se passava por policial atirou e matou 22 pessoas na Nova Escócia. Em janeiro de 2017, seis pessoas foram mortas e cinco ficaram feridas em ataques a uma mesquita em Quebec.

bur-tib/rle/lch/pz/dg/ad/jc