Motorista de app acusado de dopar engenheira diz que spray era álcool para higiene das mãos

RIO — O motorista de aplicativo acusado por uma engenheira de a ter dopado durante uma corrida entre São Conrado, na Zona Sul do Rio, e Barra da Tijuca, na Zona Oeste, afirmou que o spray mencionado por ela era álcool 70% para higiene das mãos. Em depoimento na 12ª DP (Copacabana), onde o caso foi registrado pela mulher de 35 anos como fato atípico, o homem de 37 contou que, quando chegavam na Avenida Armando Lombardi, por volta de 10h45 da última segunda-feira, dia 2, ela pediu que ele parasse em um posto de gasolina. No local, a passageira teria dito que iria até à loja de conveniência compra água, mas não teria demonstrado nenhum incômodo, e cancelou a viagem.

De acordo com o motorista, ele trabalha como motorista de aplicativo há aproximadamente cinco anos, tendo realizado mais de 12 mil corridas nesse período e sendo classificado com pontuação 4,94 dentro de uma escala de até 5. O profissional disse ter pegado a engenheira na Avenida Prefeito Mendes de Morais e a corrida seguiu “de forma normal”. Após parar o carro no posto, ele disse ter pensado que o cancelamento da viagem seria um “erro do sistema” e ainda a esperou “por um tempo”

No depoimento, o motorista disse ainda que, durante todo o trajeto, a passageira estava no celular. Perguntado sobre a utilização do álcool 70%, ele respondeu que tem o hábito de fazer isso em todas as corridas. Também na delegacia, a engenheira relatou que, a partir do momento que ele “passou o spray”, passou “muito mal”, com queda de pressão, princípios de desmaios e sensação de que o corpo estava quente.

A engenheira relatou ainda que, ao perceber que ia desmaiar, abaixou a janela em que estava. Segundo ela, o motorista de imediato, a teria questionado o motivo de abrir o vidro e a alertado de que o ar condicionado estava ligado. A passageira relatou ter “ficado com muito medo” e acreditado que ele poderia “ter lançado a substância para desacordá-la e fazer algo contra ela".

— Acontece isso e ficamos com vergonha. Eu não iria fazer esse boletim de ocorrência. Publiquei nas redes sociais e mais de dez meninas me procuraram contando que foram vítimas desse mesmo modo. Mas elas não quiseram levar à frente. É um spray e as pessoas ficam em dúvida se foram dopadas ou não. Por isso, elas deixam para lá, pensam que serão chamadas de loucas. Eu até não iria registrar o boletim de ocorrência, mas é importante levar isso à polícia — disse a engenheira, em entrevista ao GLOBO.

Na 12ª DP, a passageira relatou ainda que, quando estava no carro de aplicativo, sentiu um “cheiro muito forte” que em nada “se parecia com álcool”. Ela negou que o motorista tivesse tentando subtrair algum de seus pertences ou assediá-la e disse não ter alergia ou sensibilidade para “produtos industrializados de uso comum” nem ter usado remédios ou bebidas alcoólicas antes ou durante a corrida. A engenheira informou que deseja representar criminalmente contra o homem.

Em nota, a Uber disse que “trata todas as denúncias com a máxima seriedade e avalia cada caso individualmente para tomar as medidas cabíveis”. A empresa destacou que “permanece com seu canal de ajuda sempre aberto para oferecer suporte e receber denúncias pelo aplicativo e informa que segue à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, na forma da lei”.

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