Motorista de app acusado por engenheira de dopá-la denuncia difamação nas redes sociais

O motorista de aplicativo acusado por uma engenheira de tê-la dopado durante uma corrida entre São Conrado, na Zona Sul do Rio, e Barra da Tijuca, na Zona Oeste, denunciou que está sendo vítima de difamação pelas redes sociais. Em registro feito na Polícia Civil, o homem narra ter sido ameaçado por ela, que estaria divulgando a foto dele, como se ele tivesse “tentado drogá-la” e “fosse um bandido”. O profissional manifestou seu desejo de representar criminalmente contra a passageira.

No registro, feito na 16ª DP (Barra da Tijuca), o motorista questiona: “Como faria isso através de algo sendo espirrado no veículo sem que fosse drogado junto, já que ambos estávamos sem máscara? Isso é um absurdo! Ela solicitou que eu parasse para ela descer e comprar uma água e eu fiz isso... e ela encerrou a corrida e me deixou esperando”.

Ao procurar a 12ª DP (Copacabana), na última segunda-feira, dia 2, a engenheira relatou que chamou o carro de aplicativo por volta de 10h45, quando estava na Avenida Prefeito Mendes de Morais, em São Conrado. Ela disse que já dentro no veículo, após o motorista pegar um spray e supostamente passar nas mãos, passou “muito mal”, com queda de pressão, princípios de desmaios e sensação de que o corpo estava quente.

A engenheira relatou ainda que, ao perceber que ia desmaiar, abaixou o vidro da janela em que estava. Segundo ela, o motorista de imediato a teria questionado o motivo de abrir a janela e a alertado de que o ar condicionado estava ligado. A passageira relatou ter “ficado com muito medo” e acreditado que ele poderia “ter lançado a substância para desacordá-la e fazer algo contra ela".

— Acontece isso e ficamos com vergonha. Eu não iria fazer esse boletim de ocorrência. Publiquei nas redes sociais e mais de dez meninas me procuraram contando que foram vítimas desse mesmo modo. Mas elas não quiseram levar à frente. É um spray e as pessoas ficam em dúvida se foram dopadas ou não. Por isso, elas deixam para lá, pensam que serão chamadas de loucas. Eu até não iria registrar o boletim de ocorrência, mas é importante levar isso à polícia — disse a engenheira, em entrevista ao EXTRA.

No depoimento, a engenheira negou que o motorista tivesse tentando subtrair algum de seus pertences ou assediá-la e disse não ter alergia ou sensibilidade para “produtos industrializados de uso comum” nem ter usado remédios ou bebidas alcoólicas antes ou durante a corrida.

Também na distrital, o homem relatou trabalhar como motorista de aplicativo há aproximadamente cinco anos, tendo realizado mais de 12 mil corridas nesse período e sendo classificado com pontuação 4,94 dentro de uma escala de até 5. O profissional disse ter pegado a engenheira em São Conrado e a corrida seguido “de forma normal”. Após parar o carro no posto, na Barra da Tijuca, ele disse ter pensado que o cancelamento da viagem seria um “erro do sistema” e ainda a esperou “por um tempo”.

O motorista disse ainda no depoimento que, durante todo o trajeto, a passageira estava no celular. Perguntado sobre a utilização do álcool 70%, ele respondeu que tem o hábito de fazer isso em todas as corridas.

Em nota, a Uber disse que “trata todas as denúncias com a máxima seriedade e avalia cada caso individualmente para tomar as medidas cabíveis”. A empresa destacou que “permanece com seu canal de ajuda sempre aberto para oferecer suporte e receber denúncias pelo aplicativo e informa que segue à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, na forma da lei”.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos