Motorista de caminhão diz à polícia que foi obrigado por bandidos armados a transportar corpos em Angra

Carolina Heringer

O motorista de um caminhão que foi encontrado com sete corpos às margens da Rodovia Rio Santos prestou depoimento na 166ª DP (Angra dos Reis) nessa segunda-feira. O homem relatou aos agentes que foi abordado por cerca de dez criminosos armados dentro do Frade, em Angra, no início da tarde do último domingo. Segundo o depoimento, os bandidos o obrigaram a transportar sete cadáveres para fora do bairro.

O homem ainda relatou que decidiu abandonar o caminhão em frente ao Corpo de Bombeiros na Rodovia Rio-Santos, próximo ao Frade. Os corpos, todos de homens, estão no Instituto Médico Legal de Angra para serem identificados. Uma perícia já foi realizada no veículo.

A Polícia Civil investiga se as mortes ocorreram durante um dos confrontos entre quadrilhas de facções rivais no Frade, que têm ocorrido com frequência, ou em uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) no bairro realizada na manhã de domingo.

No fim da operação no Frade, os policiais do Bope não registraram qualquer auto de resistência (morte em decorrência de intervenção policial) na 166ª DP. Na delegacia, eles apresentaram três fuzis, três pistolas e duas granadas que foram apreendidos. De acordo com a PM, os agentes circulavam pela Rua Portugal quando foram recebidos por disparos de armas de fogo. Teve início então uma troca de tiros com suspeitos armados de fuzis e pistolas. As apreensões foram feitas após o confronto.

O delegado Celso Gustavo, titular da 166ª DP, afirmou que está investigando as duas hipóteses, mas que a maior probabilidade é de que as mortes tenham sido em razão da disputa de território entre os criminosos rivais.

— Nesse momento, tudo leva a crer que essas mortes ocorreram em razão de uma disputa. Não há nenhum dado oficial que aponte que foi em decorrência do confronto com a PM. Os policiais do Bope não apresentaram essa ocorrência na delegacia, então não há motivos para desconfiar da versão apresentada por eles. Há uma guerra constante entre criminosos rivais no Frade, inclusive com episódios bem recentes — afirma o delegado.

A violência e os tiroteios em Angra fizeram o batalhão da cidade ganhar um veículo blindado para realização de operações policiais. O caveirão era do 27º BPM (Santa Cruz) e foi levado nesta segunda-feira para manutenção em uma empresa em Benfica, na Zona Norte do Rio. Após sofrer alguns reparos, o veículo será levado para Angra. O 33º BPM não tinha um caveirão para usar nas operações.