Motoristas de vans escolares fazem protesto por auxílio emergencial

LUCIANO TRINDADE
SÃO PAULO, SP, 01.05.2020 - Manifestação de motoristas do transporte escolar realizado na avenida Paulista, em São Paulo (SP), nesta sexta-feira (1º), feriado do Dia do Trabalho. O protesto é contra a suspensão dos contratos com vans escolares em diversas cidades da região metropolitana de São Paulo e capital. (Foto:Mathilde Missioneiro/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Profissionais que ainda aguardam sanção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para terem direito ao auxílio emergencial em meio à pandemia do novo coronavírus, os motoristas autônomos de vans escolares protestaram na manhã desta sexta-feira (1º) em carreata que teve sua concentração na Avenida Paulista, em São Paulo.

Além de pedir pela aprovação do projeto que foi encaminhado pelo Senado ao presidente, a categoria pede ainda que o Banco Central possa intervir junto aos bancos públicos e privados para garantir a suspensão temporária das parcelas dos veículos financiados ou o adiamento das mensalidades para o fim do empréstimo, sem acarretar novos juros.

De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Trâfego), as faixas da esquerda da Paulista, em ambos os sentidos, foram ocupadas pelos manifestantes, que permaneceram dentro das vans. Não houve registro de lentidão no trânsito.

Os organizadores da manifestação estimam que, pelo menos, 800 vans ocuparam a avenida.

"Nós não somos contra a quarentena, nem queremos a volta das aulas. Também temos família e sabemos a importância do isolamento neste momento, mas a categoria está sem nenhuma assistência, então nós estamos aqui para pedir que também sejamos contemplados com o auxílio emergencial", disse Luciana Augusta, motorista de van e uma das líderes do protesto, em entrevista à reportagem.

Segundo Luciana, os motoristas pedem, ainda, que seja liberada para a categoria uma linha de crédito para a manutenção dos veículos e pagamento de funcionários --monitores que auxiliam o motorista para dar atenção ao embarque e desembarque dos alunos.

"Nós também pagamos impostos e ajudamos a economia a se movimentar", argumenta a motorista. "Se nós não tivermos nenhuma ajuda, muitos motoristas não vão conseguir voltar depois que a pandemia passar."

No último dia 22 de abril, o Senado aprovou em sessão virtual a ampliação de categorias a serem beneficiadas com o auxílio financeiro de R$ 600 durante o estado de calamidade decretado pela pandemia causada pelo coronavírus.

Entre os beneficiados com a medida estão motoristas de táxi e de aplicativos de transporte e motoristas de vans escolares, pescadores, esteticistas, caminhoneiros, diaristas, garçons, artistas, associados de cooperativas de catadores de materiais recicláveis e de agricultura familiar, entre outros.

Profissionais intermitentes, que são aqueles que prestam serviço de forma não contínua, também serão beneficiados pelo programa, desde que tenham renda mensal inferior a um salário mínimo.

A proposta seguiu para sanção do presidente Jair Bolsonaro. Inicialmente, ele era favorável à ampliação da lista de beneficiados, mas recuou.

"Não está previsto ampliação até porque cada parcela está na casa um pouco acima de R$ 30 bilhões", disse Bolsonaro ao lado do ministro Paulo Guedes (Economia), no último dia 27.