Mourão diz que Brasil não deve aceitar barreiras não-tarifárias como sanções à política ambiental

Leandro Prazeres
·2 minuto de leitura

BRASÍLIA – O vice-presidente da República, Hamilton Mourão(PRTB), disse nesta quarta-feira que o Brasil não deve aceitarbarreiras não-tarifárias a produtos brasileiros como forma desanção à política ambiental adotada no país. A declaração foifeita durante uma live realizada pela Federação das Câmaras deComércio Exterior (FCCE).

Questionado sobreconsultas feitas por fundos de investimento internacionais sobre ocompromisso do Brasil com a produção ambientalmente sustentável,Mourão disse que o país não deve aceitar barreiras “desde que,do lado de cá”, o país apresente resultados na área ambiental. Mourão é o presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal (CNAL), criado pelo presidente Jair Bolsonaro para coordenações ações de proteção e desenvolvimento na região.

— Estamos fazendoa nossa parte. Temos que comprovar que estamos fazendo, mas por outrolado, minha gente, não vamos aceitar barreiras não-tarifáriasdesde que, do lado de cá, nós apresentamos os resultados que nóstemos que apresentar — afirmou Mourão.

— Temos que tambémmostrar aos nossos compradores que eles não podem fazer uso debarreiras não-tarifárias no sentido de bloquear a nossa expansãocomercial. Até porque sabemos que a agricultura nos países da uniãoeuropeia é extremamente subsidiada e a nossa não tem esse subsídiotodo — disse Mourão.

A declaração dovice-presidente acontece quatro dias depois de o democrata Joe Bidenter vencido a disputa à Presidência dos Estados Unidos. A vitóriade Biden vem sendo vista com preocupação pela cúpula do governo,especialmente na área ligada à agenda ambiental.

Em setembro, Bidencriticou o Brasil por conta dos índices de destruição da florestaamazônica e disse que criaria um fundo de US$ 20 bilhões parafomentar programas de preservação. Ele disse também que os paísesque não se comprometessem com a preservação do meio ambienteestariam sujeitos a sanções econômicas.

Questionado sobre aspossíveis mudanças na política ambiental do Brasil por conta davitória de Biden, Mourão foi cauteloso. Ele afirmou que se avitória de Biden for confirmada, o democrata teria muitos problemasinternos e externos para solucionar não relacionados à Amazônia.Mourão disse que, independentemente disso, o Brasil precisariacontinuar a atuar na redução dos crimes ambientais praticados naregião Amazônica.

— Acho que se nósnos mantivermos dessa forma, vamos deixar muito claro (a posição doBrasil) à comunidade internacional, especificamente a um novogoverno americano — afirmou Mourão.