Mourão diz que empresas terão dificuldade para comprar vacinas: 'Não está na prateleira'

Dimitrius Dantas
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BRASÍLIA — Apesar da Câmara dos Deputados ter aprovado nesta quarta-feira o projeto que flexibiliza a compra de vacinas pela iniciativa privada, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que não acredita que os empresários conseguirão comprar os imunizantes.

O vice-presidente participou de live organizada pela XP e pelo site "InfoMoney" e falou sobre as ações do governo em 2021. Mourão destacou que a maioria dos países está com dificuldades para comprar doses de vacina, com exceção dos produtores de insumos, como China e Índia, e de países que desenvolveram suas vacinas, como os Estados Unidos e o Reino Unido.

— Agora está essa discussão de empresas comprarem vacina. Na minha visão, as empresas terão muita dificuldade para comprar porque não tem vacina disponível no mercado pra vender. Não está na prateleira. Os fornecedores querem grandes contratos. A empresa vai vender para quem quer comprar 30 milhões de doses — afirmou.

Aprovado nesta quarta-feira, o projeto altera norma sancionada em março, que obrigava a doação de 100% das doses ao Sistema Único de Saúde (SUS) enquanto os grupos prioritários não fossem imunizados.

Caso seja aprovado sem alterações também pelos senadores, o texto dará acesso à vacinação a empresários e funcionários antes das prioridades do Plano Nacional de Imunização (PNI), consideradas mais vulneráveis ao novo coronavírus. Além disso, a obrigação do repasse ao SUS será reduzido de 100% para 50% das doses compradas.

A medida foi criticada por especialistas ouvidos pelo GLOBO, que classificaram a proposta como um retrocesso em relação às regras que valiam anteriormente. O projeto ainda precisa passar pelo plenário do Senado antes de, se aprovado sem alterações, ser enviado para sanção do presidente Jair Bolsonaro.

Durante o evento, o vice-presidente falou que o governo federal tem se esforçado para adquirir novas doses da vacina e previu que o país terá vacinado todos os idosos até a metade de junho. Mourão destacou que vacinação em massa é necessária para que o Brasil supere a crise.

— Não há dúvida de que a vacinação em massa é fundamental. O governo vem fazendo seu esforço no sentido de adquirir as vacinas necessárias e avançar na vacinação do público com mais de 60 anos — disse.

Segundo o vice-presidente, o país passa por uma crise econômica mas também uma crise psicossocial, causada pela pandemia, o que tem causada uma exaustão da população. Para Mourão, o país deve tentar neutralizar os efeitos da pandemia para retomar o crescimento.

— Hoje vivemos uma crise psicossocial causada pela pandemia. A população brasileira não é daquelas mais disciplinadas. Esse abre, fecha. Há uma exaustão da população em relação às medidas de distanciameento social, as medias de proteção a essa doença — afirmou.