Mourão diz que fim de acordo com Boeing é 'oportunidade' para Embraer

Daniel Gullino

BRASÍLIA — O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta quarta-feira que o fim do acordo com a Boeing pode ser uma "oportunidade" para a Embraer. Mourão relatou ter conversado com o diretor-presidente da empresa, Francisco Gomes Neto, e disse que os dois concordavam que "há males que vêm para bem".

— Eu tive a oportunidade, no final de semana, de conversar com o CEO da Embraer e ambos concordamos que há males que vêm para bem. Então, acho que essa ruptura do acordo com a Boeing não precisa ser considerada algo assim como um recuo, mas como uma oportunidade para um avanço — disse Mourão, durante transmissão realizada por uma instituição financeira.

De acordo com Mourão, a China é um mercado a ser explorado pela empresa de aviação:

— A Embraer tem que aproveitar o que vai acontecer nisso, principalmente no seu nicho de mercado, que é a aviação regional, isso na parte da aviação comercial. E aí surge mais uma vez o mercado chinês, que vai se expandir, um país grande, um país de população enorme, onde essa aviação regional começa a se expandir e é um ponto onde a Embraer poderá ter uma parcela significativa desse mercado.

O vice-presidente ainda afirmou que o acordo "vinha fazendo água" e lembrou que a Boeing teve problemas recentes com um de seus principais aviões — apesar de Mourão ter mencionado o 767, o modelo que teve problemas foi o 737, com dois acidentes mortais na Etiópia e Indonésia, matando 346 pessoas —, o que teria levado a uma perda da confiança.

— O acordo com a Boieng, na minha visão, já vinha fazendo água há algum tempo. A Boeing, desde o problema ocorrido com a sua aeronave, que seria o carro-chefe do momento, o 767 Max, com duas quedas de aeronave e uma dificuldade em passar confiança no mercado — disse, acrescentando: — A pessoa só vai embarcar em um aeronave se tiver 100% de confiança que a aeronave vai levar ao seu destino.