Mourão diz que governo também tem responsabilidade sobre madeira ilegal e que país está fazendo sua parte

Isabella Macedo e Daniel Gullino
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Pablo Jacob/Agência O Globo/03-11-2020
Pablo Jacob/Agência O Globo/03-11-2020

BRASÍLIA — O vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta sexta-feira que o governo também é responsável pela comercialização de madeira ilegal para outros países. Questionado sobre uma carta enviada a ele pela Coalizão Brasil, grupo formado por organizações civis, acadêmicos e empresários, Mourão afirmou que “é logico” que o governo também tem responsabilidade na questão, mas que tem feito a sua parte em tentar estrangular o comércio.

— Lógico que tem. O governo sempre tem [responsabilidade]. Tudo o acontece ou deixa de acontecer é culpa do governo. Normal — afirmou nesta manhã.

Mourão minimizou o recuo do presidente Jair Bolsonaro da promessa feita, no início da semana, de divulgar os países que importam madeira ilegal do Brasil. Segundo ele, Bolsonaro quer que os países façam sua “parte do lado de lá”.

— O presidente sabe o que ele está fazendo. Então não adianta ficar fazendo uma discussão que não vai conduzir a nada. O que nós temos que fazer é a nossa parte do lado de cá e os outros a parte deles do lado de lá. É isso que o presidente quer.

Na terça-feira, durante a reunião virtual da cúpula dos Brics, Bolsonaro tinha dito que iria divulgar nos "próximos dias" os nomes de países que importam madeira extraída de forma ilegal do país. Ele reclamou que esses países seriam os mesmos que criticam o Brasil pelo desmatamento.

Entretanto, durante uma transmissão ao vivo em suas redes sociais ontem, o presidente voltou atrás. Ele disse que não acusaria nenhum país de cometer ou ser conivente com crimes e focou suas críticas nos ilícitos de empresas, mas não citou nenhuma delas.

Mourão também foi perguntado o que o governo poderia fazer para evitar o comércio de madeira desmatada ilegalmente e afirmou que o país tem feito sua parte por meio da Polícia Federal.

— O que está fazendo, o que a Polícia Federal está fazendo. Você tem que estrangular o comércio. A partir do momento em que você estrangula o comércio, para o cara que corta madeira na ponta da linha, se ele não tem para onde, não consegue vender — disse ele.

Para o vice-presidente, a questão é tratada pela PF também por diálogo com polícias de outros países.

— Isso aí é comércio internacional. Trafico você sabe como é, a ilegalidade prospera no mundo inteiro. É a questão de crimes transnacionais que você tem hoje no mundo. São vários aspectos de crimes transnacionais que as nações têm se unido para combater. Faz parte das ameças do século XXI — concluiu.