Mourão diz que protestos são 'catarse coletiva' e que Bolsonaro 'deveria' entregar faixa presidencial

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta quarta-feira que o atual mandatário, Jair Bolsonaro, deveria entregar a faixa presidencial a Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração foi dada em Lisboa durante visita à sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Na mesma ocasião, Mourão classificou as manifestações de teor golpista que acontecem em alguns locais do Brasil como uma "catarse coletiva" e fez críticas à atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na condução das eleições.

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— Na minha visão, o presidente deveria passar a faixa porque é uma questão de presidente para presidente. Independente do processo, independente de gostar ou não da pessoa. É uma questão institucional — afirmou Mourão, à Agência Lusa.

Mourão está desde segunda-feira em visita oficial a Portugal. Mourão tem compromissos no país europeu até quinta-feira.

— Eu não sou o presidente. Se por acaso o presidente renunciasse ao cargo e eu me tornasse presidente, eu teria essa responsabilidade [entregar a faixa presidencial ao presidente eleito]. Mas eu não tenho essa responsabilidade. Então, eu não posso, se por acaso o presidente Bolsonaro não for, vestir aquela faixa, retirá-la e entregá-la ao presidente Lula que é o eleito — acrescentou Mourão.

Manifestações golpistas

O vice-presidente também foi questionado a respeito das manifestações de teor golpista que ocorrem em alguns locais do Brasil. Para Mourão, trata-se de uma "catarse coletiva".

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— Essas pessoas não estão na rua de forma desordeira, estão num processo de, vamos dizer assim, numa catarse coletiva, não é, eu posso colocar dessa forma, no sentido de aceitar algo que eles consideram que não foi correto. E o tempo é o senhor da razão — afirmou.

Mourão saiu em defesa das pessoas que têm fechado rodovias pelo país. Ele não considera como golpistas os manifestantes que não aceitam o resultado da eleição presidencial.

— Em primeiro lugar, as manifestações não são golpistas. Isso foi uma coisa que vocês da imprensa estão colocando. Isso é uma manifestação de gente no Brasil, é uma questão interna nossa, que não se conformou com o processo, que considera que o processo é viciado — disse.

Em seguida, Mourão fez críticas ao TSE:

— O que eu considero, muito claramente, é que o árbitro desse jogo, o Tribunal Eleitoral, ele foi parcial ao longo desse jogo. Isso é que eu considero — afirmou Mourão.

— Eu, da minha parte, vejo que nós precisamos ter que dar mais transparência nesse processo. Não basta, pura e simplesmente, respostas lacónicas do nosso Tribunal Superior Eleitoral, no sentido de contestar eventuais, vamos dizer assim, denúncias ou argumentações sobre o processo e nós teremos que evoluir nisso aí — finalizou.

Mourão chegou a Portugal três dias após a passagem de Lula pelo país. Recém-eleito para o cargo de presidente da República, o petista foi recebido com honras de chefe de Estado.