Mourão ironiza meta climática anunciada por Bolsonaro e fala em estender GLO na Amazônia

Dimitrius Dantas
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O vice-presidente Hamilton Mourão, que preside o Conselho da Amazônia mas foi escanteado do discurso do presidente Jair Bolsonaro na Cúpula dos Líderes sobre o Clima, realizado nesta quinta-feira, minimizou a importância do encontro e ironizou uma das promessas feitas inclusive pelo próprio presidente durante sua fala a chefes de governo de todo o mundo.

— Tinha desde grandes países até países bem pequenos (na cúpula). É mais uma carta de intenções que cada um colocou. E aí neguinho chega ali: "Em 2060...". Pô, nós todos já viramos pó — disse Mourão.

Durante seu discurso, entre outras promessas, o presidente Jair Bolsonaro anunciou a antecipação da neutralidade de emissão de gases do efeito estufa de 2060 para 2050. Questionado sobre a promessa, Mourão disse que esse tipo de promessa faz parte, mas destacou o foco no desmatamento da Amazônia. Bolsonaro também anunciou o objetivo de acabar com o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030.

— O que nós temos que fazer, qual o nosso problema hoje? Claro, objetivo: temos que reduzir o desmatamento na Amazônia. A gente fez isso, nós contribuímos com o que temos que contribuir — afirmou.

Apesar de atuar de coordenar os ministérios para o combate ao desmatamento por meio do Conselho da Amazônia, o vice não participou do discurso do presidente. Nesta quinta-feira, Mourão participou de três agendas: uma gravação de programa de rádio, uma entrevista a uma emissora paulista e um encontro com o ministro da Defesa, Walter Braga Netto.

No final da tarde, questionado sobre o encontro de líderes sobre o clima, Mourão diminuiu a importância do encontro.

— Essa cúpula de hoje foi uma ação do governo americano para retomar o protagonismo num tema que o governo anterior tinha abandonado. É uma reunião virtual de 40 chefes de estado dos mais diferentes possível.

GLO na Amazônia deve durar mais três meses

Durante a conversa com o ministro da Defesa, Braga Netto, Mourão discutiu a extensão do decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) na Amazônia, que permite a manutenção de oficiais das Forças Armadas na região para atuar no combate ao desmatamento.

Segundo Mourão, o governo federal está estudando o assunto, mas antecipou que ele deve ser resolvido nos próximos dias, com a provável extensão da GLO por mais três meses, até 31 de julho.

O decreto deverá continuar nos mesmos termos, mas o governo ainda estuda a questão dos custos envolvidos. De acordo com Mourão, é possível fazer uma operação mais econômica.

— Vi que o ministro Salles estava com a ideia de usar a Força Nacional de Segurança, mas ela utiliza policiais militares dos estados, é mais complicado. Nosso problema é pessoal e quem tem pessoal são as Forças Armadas — afirmou Mourão.