Mourão diz que abertura de CPI da Covid foi “interferência” do Judiciário e que comissão vai gerar “atrito”

Ana Paula Ramos
Vice-presidente Hamilton Mourão, de máscara, em evento de comemoração ao Dia da Bandeira
Vice-presidente Hamilton Mourão (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
  • Vice-presidente Hamilton Mourão considera "interferência" decisão do ministro do STF que determina abertura de CPI da Covid

  • Ontem, ministro Luis Roberto Barroso, do STF, decidiu que o Senado deve instalar a CPI para apurar condução da pandemia

  • Mourão também disse que "estamos vivendo momento difícil" que precisa de "união de esforços"

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta sexta-feira (9) que considera uma “interferência que não é devida” a decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou que o Senado deve instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar possíveis omissões do governo federal durante a pandemia do novo coronavírus.

“Concordo com outras opiniões que foram dadas, isso para mim é uma interferência que não é devida. E também, vamos colocar o seguinte: nós estamos vivendo um momento difícil, complicado, é um momento em que a gente precisa de união de esforços. E a CPI a gente sabe, vai ser aquela discussão, aquela geração de atrito e atrito não leva a nada, só faz perda de energia", disse o vice-presidente, ao ser questionado por jornalistas.

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Barroso deu o parecer ao analisar uma ação apresentada pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO) para a instalação da comissão no Senado. 

O pedido para instalação da CPI foi protocolado no dia 15 de janeiro, com 29 assinaturas de senadores, duas a mais que exigido pelo regimento da Casa para a instauração da CPI. 

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), eleito com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, vinha resistindo a instalá-la. Ele declarou várias vezes que instalar a CPI neste momento não auxiliaria no combate à pandemia. Mesmo após a decisão de Barroso, Pacheco disse que instalará a CPI, mas considerou a decisão “equivocada” e que a CPI, na visão dele, servirá de palanque para a eleição de 2022.

Para Mourão, o presidente do Senado fez uma análise ampla da situação, levando em conta aspectos políticos, ao segurar a instalação da CPI. O vice-presidente afirmou que eventuais omissões já são investigadas no inquérito em curso na Justiça para apurar a crise sanitária em Manaus.

Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro também criticou a decisão e atacou o ministro do STF. “Falta-lhe coragem moral e sobra-lhe imprópria militância política”, afirmou em suas redes sociais.