Mourão diz que manifestações do dia 7 de setembro são ‘fogo de palha’

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Brazil's Vice President Hamilton Mourao attends the swearing-in ceremony of the newly appointed justice minister, at the Planalto presidential palace, in Brasilia, Brazil, Wednesday, April 29, 2020. (AP Photo/Eraldo Peres)
Foto: AP Photo/Eraldo Peres
  • Vice-presidente está em um momento de tensão com Bolsonaro

  • Ele diz ter ‘zero preocupação’ com uma perspectiva golpista dos atos

  • General lembra que militares são regidos por código de conduta

O vice-presidente Hamilton Mourão comentou a manifestação convocada em apoio ao governo para o dia 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil, e disse que não passa de “fogo de palha”, ao ser questionado sobre a possibilidade de tentativas de golpe. "Isso aí tudo é fogo de palha, zero preocupação".

No entanto, os atos geram apreensão. O governo de São Paulo precisou determinar o afastamento preliminar do chefe do Comando de Policiamento do Interior-7 da Polícia Militar de São Paulo, coronel Aleksander Lacerda, que vem convocando seus pessoas para a manifestação, em Brasília.

O caso não é isolado. O coronel da reserva da PM de São Paulo Ricardo Augusto Nascimento de Mello Araújo convocou milhares de policiais para os protestos bolsonaristas. Araújo é diretor-presidente da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).

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Mourão lembrou, ao comentar o assunto, que o regulamento disciplinar das Forças Armadas prevê punição para oficiais da ativa que se manifestem politicamente. "Todo pronunciamento de caráter político feito por um militar da ativa está sujeito ao regulamento disciplinar. O comando da Polícia Militar de São Paulo deve estar tomando providências a este respeito", disse.

O vice-presidente confessou que não vive o melhor momento de sua relação com o presidente Bolsonaro, mas que segue leal. "Não é uma relação simples. Nunca foi entre presidente e vice, nós não somos os primeiros a viver esse tipo de problema. Mas o presidente sabe muito que ele conta com a minha lealdade acima de tudo. Ele pode ficar tranquilo sempre a meu respeito", disse. O general já negou ter cogitado renunciar ao cargo devido a desentendimentos com o chefe do Executivo.

Recentemente, Mourão se uniu de forma sigilosa com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso. O encontro irritou Bolsonaro, que considera Barroso um de seus adversários.

A reunião aconteceu no dia 10 de agosto, mesmo dia em que o presidente assistiu a blindados da Marinha passarem em frente ao Congresso e que estava prevista a votação da PEC do Voto Impresso. Naquele mesmo dia, Mourão assegurou a Barroso que as Forças Armadas não participariam de aventuras golpistas.

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