Mourão diz que pode ficar fora de chapa em 2022 após fala de Bolsonaro sobre príncipe

Marcos Corrêa/Presidência da República

 RESUMO DA NOTÍCIA

  • Após vir à tona conversa em que Bolsonaro teria dito que preferia o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP) como vice, Mourão afirmou não ver problemas se ficar fora da chapa pela reeleição.

  • "Na minha idade, aos 66, são outras coisas que me chateiam", afirmou.

Um dia depois de vir à tona uma conversa em que o presidente Jair Bolsonaro teria dito que preferia o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP) como vice, o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) afirmou não ver problemas se ficar fora da chapa do presidente Jair Bolsonaro (PSL) em uma eventual disputa à reeleição, em 2022.

Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, Mourão argumentou ainda há um longo período de governo e uma série de tarefas a cumprir, de modo que, avaliou, ainda seria cedo para essa discussão.

Leia também

"Quando chegar lá, em 2022, se o presidente precisar de mim, ele sabe que conta comigo como um soldado da visão de país que ele tem. Se não precisar, muito bem também. Não tem problemas quanto a isso", afirmou o general na entrevista.

Mais do caso

Bebianno faz desafio a Bolsonaro após acusações sobre 'suruba gay'; assista

Indagado se guarda mágoas, Mourão negou. "Na minha idade, aos 66, são outras coisas que me chateiam", afirmou.

Sobre a afirmação de Bolsonaro dizendo que o vice deveria ser Orleans e Bragança, no entanto, preferiu desacreditá-las. “Aquelas afirmações que foram colocadas na imprensa, pelo dado que tenho, não são verdadeiras. Então não tem o que comentar.”

Questionado sobre a relação com Bolsonaro, Mourão disse ser “dentro daquilo que é um presidente e um vice: quando ele precisa da minha opinião, me consulta. Se minha opinião ele considera válida, ótimo. Se não considera, isso faz parte de qualquer processo decisório”. Se o presidente acata a opinião do vice? “Quando julgo que as coisas têm de ser colocadas de forma mais organizada, vou lá e falo com ele. Agora, decisões do presidente são decisões do presidente. A partir do momento em que ele decide, estou 100% com ele.”

Entenda

Bolsonaro teria desistido de convidar o "príncipe” Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP) para ser vice-presidente em sua chapa, depois de ter sido informado pelo ex-ministro Gustavo Bebianno, de que haveria fotos de Orleans e Bragança participando de uma orgia gay, além de informações sobre possíveis agressões do deputado a moradores de rua. As informações são da Época. O parlamentar nega envolvimento em ambos.

"Bebianno armou e não queria que eu fosse o vice. Ele disse ao presidente que haveria um dossiê que tinha fotos minhas, segundo um amigo me contou na ocasião. O dossiê foi usado porque era domingo de manhã e era o último dia para protocolar quem seria o vice. Ele não queria colocar um militar, inicialmente", disse Orleans e Bragança a Época.

De acordo com o deputado, o presidente pediu desculpas na última terça-feira (12). "Sei que esse tipo de armação ocorre a todo momento. Sei que circulam informações falsas. O dossiê era de fotos que eu fazia uma suruba gay e que eu batia em mendigo", contou Orleans e Bragança.

Alexandre Frota, agora deputado federal pelo PSDB-SP, confirmou que foi consultado por Jair Bolsonaro sobre a orientação sexual do deputado. "Me perguntou se eu sabia se o príncipe era gay ou não. Eu disse que não sabia”, disse.

Diante da dúvida, Jair Bolsonaro teria dito a Frota para não expor a situação. "Ele [Jair Bolsonaro] pediu para que eu não falasse nada sobre ele [Orleans e Bragança] deixar de ser o vice, que ele conduziria com a imprensa”, contou o agora tucano.