Movimento 5-Estrelas vota a favor de apoiar governo Draghi na Itália

Crispian Balmer e Angelo Amante
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Mario Draghi em Roma

Por Crispian Balmer e Angelo Amante

ROMA (Reuters) - Os membros do partido italiano Movimento 5-Estrelas votaram nesta quinta-feira a favor do apoio ao primeiro-ministro designado do país, Mario Draghi, abrindo caminho para o ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) assumir como chefe de um amplo governo de união nacional.

Em uma votação online, 59,3% dos apoiadores do 5-Estrelas atenderam ao pedido dos líderes do partido para apoiar o novo governo, apesar de ele incluir alguns dos arquirrivais do movimento e de ser encabeçado pelo tipo de tecnocrata que no passado criticaram.

Depois de uma disputa interna na coalizão derrubar o governo anterior, o presidente da Itália, Sergio Mattarella, pediu a Draghi, uma das figuras mais respeitadas da Itália, que formasse um novo gabinete para enfrentar a pandemia de coronavírus e um derretimento econômico.

Tendo garantido o endosso de quase todos os partidos da Itália, Draghi provavelmente apresentará sua lista de ministros a Mattarella na sexta-feira e revelará seu programa de políticas na próxima semana no Parlamento.

Os votos de confiança em ambas as Casas que lhe permitirão assumir o cargo serão uma formalidade. No entanto, alguns parlamentares do 5-Estrelas, que nasceu em 2009 como um partido antissistema e anti-euro, ameaçaram se opor a Draghi independentemente da votação online.

Em um sinal das divisões, um de seus líderes, Alessandro Di Battista, anunciou que deixará o grupo. "Minha consciência política não aguenta mais", disse ele no Facebook.

Os integrantes do movimento já tinham realizado votação online semelhante para formar coalizões, primeiro com a Liga, de direita, em 2018, e depois com o Partido Democrata, de centro-esquerda, em 2019. O tamanho da vitória nessas duas ocasiões foi de 94% e 79%, respectivamente.

Embora a margem de quinta-feira tenha sido muito menor, o resultado ainda é um incentivo para Draghi e significa que nenhum partido terá o poder de derrubar seu governo.