Movimento antirracista cresceu 46% no Brasil após assassinato de George Floyd, diz pesquisa

Alma Preta
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Protestors march to the North Precinct Police Station in Portland, Oregon on September 6, 2020. - Protestors are marching for an end to racial inequality and police violence. Aaron Danielson, 39, a supporter of a far-right group called Patriot Prayer, was fatally shot August 29, 2020, in Portland, Oregon after he joined pro-Trump supporters who descended on the western US city, sparking confrontations with Black Lives Matter counter-protesters. (Photo by Allison Dinner / AFP) (Photo by ALLISON DINNER/AFP via Getty Images)
Protestors march to the North Precinct Police Station in Portland, Oregon on September 6, 2020. - Protestors are marching for an end to racial inequality and police violence. Aaron Danielson, 39, a supporter of a far-right group called Patriot Prayer, was fatally shot August 29, 2020, in Portland, Oregon after he joined pro-Trump supporters who descended on the western US city, sparking confrontations with Black Lives Matter counter-protesters. (Photo by Allison Dinner / AFP) (Photo by ALLISON DINNER/AFP via Getty Images)

Texto: Redação Edição: Nataly Simões

Três meses após a morte do afro-americano George Floyd, que teve o pescoço pressionado por mais de oito minutos pelo joelho de um policial branco nos Estados Unidos, em 25 de maio, uma pesquisa aponta que a onda de manifestações geradas pelo assassinato fez o engajamento ao movimento antirracista crescer 46% no Brasil.

O levantamento elaborado pela Zygon AdTech analisou 9,7 milhões de menções únicas às hashtags #BlackLivesMatter e #VidasNegrasImportam nas páginas brasileiras do Twitter. As publicações coletadas chegaram ao pico de 68 mil por hora em 3 de junho e receberam mais de 100 milhões de retweets.

Iniciado no dia 12 de maio, o estudo analisou o engajamento, perfil dos usuários e conteúdos antirracistas repercutidos no Twitter em quatro fases diferentes. A anterior ao caso do George Floyd (12/05 a 26/05), o pico do caso (27/05 a 07/06), o pós-pico (08/06 a 19/06) e o “novo normal” do movimento (de 20/06 a 19/07). Apesar de o afro-americano ter sido assassinado em 25 de maio, a repercussão à morte iniciou dois dias depois.

Com isso, o estudo identificou que mesmo após o pico de repercussão do caso na mídia, a média de publicações diárias relacionadas ao movimento antirracista teve um incremento de 46%, passando de 8,2 mil no início da análise para 12,1 mil no final do período.

A pesquisa ressalta que apesar de o crime que tirou a vida do afro-americano ter sido um gatilho para o aumento da discussão sobre a questão racial no Brasil, apenas 7,7% do total de publicações sobre o tema citavam o nome de George Floyd diretamente. Entre os assuntos mais populares figuram violência (28,9%), racismo (22,6%) e manifestações de rua (15,4%).

Outro dado identificado no estudo é a presença de adolescentes fãs de cultura oriental (K-pop ou mangá) entre os 10 usuários mais retuitados. Quatro das menções mais populares foram publicadas por esse perfil de usuário, que figura no topo junto com ativistas do movimento negro e perfis ligados a grupos de mídia e entretenimento.

Fundada na Bahia em 2016, a Zygon AdTech é uma startup de tecnologia, especializada em Big Data, mídia programática e Analytics. Segundo o CEO da companhia, Lucas Reis, a pesquisa foi coordenada majoritariamente por pessoas negras.

“A discussão antirracista mudou de patamar no Brasil e este estudo ajuda a quantificar isso. Achamos que é importante para a sociedade que esse assunto tenha maior repercussão e ficamos orgulhosos em contribuir para esse debate com um estudo feito por uma equipe majoritariamente formada por pessoas negras e que atuam em funções-chave, como data engineer, data analyst e coordenador de pesquisa”, explica Reis.