Movimento de Navalny promete seguir lutando contra a corrupção na Rússia

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O opositor russo Alexei Navalny durante uma audiência judicial por videoconferência em 26 de maio de 2021

O movimento do opositor russo detido Alexei Navalny afirmou, nesta quinta-feira (10), que vai seguir adiante em sua luta, depois de seu desmantelamento e proibição na Rússia por extremismo, uma decisão criticada pelos países ocidentais.

Moscou reagiu às críticas americanas e acusou o principal opositor do presidente Vladimir Putin de ser um "agente" dos Estados Unidos.

O Fundo de Luta contra a Corrupção (FBK), principal organização de Navalny, afirmou que vai seguir adiante com seus trabalhos.

"Acordamos, sorrimos com intenção destrutiva e sabendo que somos um 'perigo para a sociedade'. Nós vamos continuar lutando contra a corrupção!", afirmou a organização no Twitter em resposta à decisão da justiça russa.

Um tribunal russo classificou na quarta-feira como "extremistas" as organizações de Navalny em todo o país, uma decisão que proíbe suas atividades e abre o caminho para uma repressão ainda maior de seus partidários.

O opositor, de 45 anos, cumpre pena de dois anos e meio de prisão por um caso de fraude que ele considera político.

Uma mensagem publicada na conta de Navalny no Instagram afirma: "Iremos nos organizar, evoluir, iremos nos adaptar. Mas não iremos recuar em nossos objetivos e ideias. É o nosso país e não temos outro".

A medida anunciada na quarta-feira possibilita ações judiciais contra seus colaboradores caso persistam com a mobilização. Uma nova lei proíbe que disputem eleições, especialmente as legislativas previstas para setembro.

Há vários meses, a oposição russa está sob pressão, depois da transferência de Navalny a uma colônia penitenciária por dois anos e meio, o exílio de vários dirigentes do movimento e também medidas contra a imprensa independente e as vozes dissidentes.

Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia (UE) condenaram a decisão da justiça russa.

Um dos líderes da equipe de Navalny, Georgi Alburov, ironizou a decisão judicial.

"Acordei extremista. Comecei a trabalhar. Não percebo a diferença", afirmou Alburov no Twitter.

A equipe de advogados que defende o movimento opositor afirmou que não foi apresentada "nenhuma prova de extremismo".

Para um representante do MP, no entanto, estas organizações "incitam o ódio e a hostilidade em relação aos representantes do poder".

"É uma decisão infundada que confirma um padrão negativo de repressão sistemática dos direitos humanos e das liberdades consagradas na Constituição russa", afirmou em uma nota oficial o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell.

O comitê de ministros do Conselho da Europa, que reúne 47 Estados, também pediu "encarecidamente" a libertação do opositor.

Os opositores do Kremlin entendem a decisão como um desejo de excluir do cenário político as vozes críticas ao presidente Vladimir Putin.

O governo dos Estados Unidos considerou "especialmente preocupante" a proibição das organizações de Navalny.

"Pedimos à Rússia que pare de abusar das designações de 'extremismo' para atacar organizações não violentas, que acabe com a repressão contra o senhor Navalny e seus partidários e que cumpra com suas obrigações internacionais de respeitar e garantir os direitos humanos e as liberdades fundamentais", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

A porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, considerou que a rapidez com que Washington condenou a decisão demonstra que Navalny é um de seus "agentes".

"Mostram tanto esmero político porque afeta os que supervisionam, os que apoiam politicamente e de outras maneiras", disse.

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