Movimento pró-vacina de Luiza Trajano terá torcidas rivais de times de futebol em propaganda da imunização

Henrique Gomes Batista
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SÃO PAULO — O movimento “Unidos pela Vacina”, liderado por Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza, com seu grupo Mulheres do Brasil, já reúne cerca de 400 empresários e entidades em torno do plano de ajudar a levar, até setembro, a vacina contra a Covid-19 a todos os brasileiros.

As primeiras ações do grupo devem começar a serem vistas esta semana, com peças publicitárias incentivando as pessoas a se imunizarem e com a conclusão dos pilotos da iniciativa nas cidades do Rio de Janeiro e Nova Lima (MG).

Em entrevista coletiva nesta terça-feira para apresentar o movimento, Trajano afirmou que o grupo não pretende comprar vacinas, mas sim tentar resolver gargalos para sua chegada ao Brasil.

Ela afirmou que integrantes da ação já se encontraram com representantes da vacina russa Sputnik V, que está pleiteando a autorização para uso no Brasil, com o objetivo de debater eventuais impasses que podem dificultar a chegada deste e de outros imunizantes ao Brasil.

A presidente do Conselho de Administração do Magalu afirmou que o grupo poderá comprar seringas e agulhas para ajudar governos que precisem de apoio.

— A questão não é dinheiro, se fosse falta de dinheiro era fácil, mas o governo tem recursos para comprar as vacinas — afirmou a empresária. — Mas podemos agilizar, com influências de nossas empresas e ajudar a chegar vacina.

Duda Sirotsky Melzer, sócio da EB Capital, esclareceu que as primeiras peças publicitárias da campanha de incentivo à vacinação serão conhecidas ainda essa semana. Elas serão feitas por Nizan Guanaes e sua agência África.

A linha da campanha será a união em torno da vacina, antecipou o empresário, afirmando que algumas peças vão mostrar torcidas rivais de futebol unidos pela vacina, ou empresários concorrentes com a mesma mensagem em prol do imunizante.

Ele afirmou que será uma campanha “forte e muito ampla” em TV, rádios, jornais, revistas, meios digitais e redes sociais e que ela poderá se somar a outras iniciativas semelhantes no país.

Já sobre os planos pilotos no Rio e em Nova Lima, a consultora Betania Tanure explicou que as cidades foram escolhidas pela facilidade de contatos do grupo e por representarem dois universos diferentes: o de uma metrópole e também uma cidade média. Segundo ela, os trabalhos nas duas localidades estão avançados:

— Fizemos reunião com a secretaria municipal de saúde da cidade, já foi feito o mapeamento das necessidades do Rio para vacinação em massa e neste exato momento estamos estruturando para saber qual será a colaboração lá e em Nova Lima, são situações absolutamente diferentes — afirmou.

O movimento também deve concluir neste fim de semana uma radiografia das necessidades das prefeituras para uma vacinação em massa.. Ela afirmou que o grupo não visa melhorar a imagem do empresariado brasileiro, depois da polêmica do início de janeiro, quando outro grupo empresarial chegou a dizer que negociava a compra de 33 milhões de doses da vacina de Oxford, e que metade seria retida para os funcionários das empresas participantes:

— A gente não está fazendo (o movimento) com o interesse de melhorar a imagem ou não (dos empresários) a gente está fazendo com um único interesse: tem que dar vacina para a população. Esse vírus não vai embora sem vacina. O que manda é a intenção, o coração da gente, não é para dizer, “ah o empresário brasileiro é bom”, é para dizer que unidos vamos conseguir salvar vidas e melhorar a economia.

Um dos grupos da iniciativa trata da negociação com o governo. Ele é tocado por Marcelo Silva, presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV). Ele disse que a iniciativa foi bem recebida pelo governo federal e que as primeiras reuniões de trabalho devem ocorrer nos próximos dias. Outros grupos serão liderados por empresários muito conhecidos: Walter Schalka, presidente da Suzano, lidera a área de insumos e vacinas e Paulo Kakinoff, presidente da Gol, coordena o grupo de logística e armazenamento. Cristina Riscala, do Grupo Mulheres do Brasil, ficará encarregada pela aplicação da vacinação da população em si.

— Estamos nos colocando uma meta ousada. Podemos não conseguir, mas vamos tentar com todas as forças — afirmou Luiza Helena Trajano.