Movimento de protesto no Sudão anuncia greve geral de dois dias

Os dirigentes do movimento de protesto no Sudão convocaram, nesta sexta-feira, uma greve geral para as próximas terça e quarta-feira

Os dirigentes do movimento de protesto no Sudão convocaram, nesta sexta-feira, uma greve geral para as próximas terça e quarta-feira, devido ao bloqueio das negociações com o Exército sobre a transferência de poder aos civis.

A Aliança para a Liberdade e a Mudança (ALC), que lidera os protestos, indicou em um comunicado que se via "obrigada a recorrer a esta ação pacífica devido à falta de alternativas" para fazer avançarem as negociações com os militares, bloqueadas há semana.

As discussões com o Exército, que tomou o poder após ter expulsado o presidente Omar Al-Bashir em 11 de abril, foram suspensas na segunda-feira pelos desacordos sobre a composição do futuro Conselho Soberano, que deve ser estabelecido para administrar a transição, e sobre quem - um civil ou um militar - deve dirigi-lo. Desde então, nada parece indicar que as negociações vão ser retomadas.

Por enquanto, os generais que se colocaram à frente do país rejeitaram passar o poder aos civis - como pedem os manifestantes - e insistem em que um deles deve se colocar à frente do Conselho Soberano, que supostamente dirigirá o país durante três anos.

"Serão lançadas greves gerais na terça e na quarta-feira nas empresas e sociedades públicas e privadas e em todos os setores profissionais. Além disso, serão organizadas concentrações na capital e nas regiões", detalhou a ALC em um comunicado.

Com a greve, a ALC busca "retificar o processo da revolução e alcançar seus objetivos" em um país mergulhado na incerteza política.