Movimento sindical dos EUA busca opções após derrota com Amazon

Timothy Aeppel
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Centro de distribuição da Amazon em Bessemer, Alabama, onde trabalhadores rejeitaram a formação de um sidicato

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Por Timothy Aeppel

(Reuters) - Regina McDowell não ficou surpresa com o fato de os trabalhadores de um centro de distribuição da Amazon no Estado norte-americano do Alabama terem rejeitado na semana passada por ampla margem a formação de um sindicato.

Ela passou 42 anos trabalhando em uma fábrica de equipamentos elétricos sindicalizada em Indiana e foi ativa na organização de campanhas trabalhistas - incluindo viagens para o sul para localizar trabalhadores em suas casas e fazer a proposta para se tornarem membros de seu sindicato, a Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais.

"Às vezes, eles (os trabalhadores) me enxotaram de suas propriedades com uma arma", disse ela, acrescentando que as contribuições sindicais eram um problema para muitos.

O fracasso esmagador da votação de funcionários da Amazon no centro de distribuição em Bessemer gerou uma reflexão profunda no movimento trabalhista sobre o que deu errado e o que os sindicatos precisam fazer diferente no futuro para recuperarem a confiança dos trabalhadores.

"Organizar-se nos Estados Unidos não é mais uma luta justa. Nossas leis trabalhistas não são mais uma forma eficaz de capturar a vontade dos trabalhadores americanos de formar sindicatos", disse Tim Schlittner, diretor de comunicações da AFL-CIO, a maior federação trabalhista dos EUA.

“O sentimento que isso reforça é que há uma necessidade atrasada e enorme de reforma da legislação trabalhista nos EUA.”

Segundo especialistas, a decisão de apoiar uma campanha sindical geralmente se resume a uma avaliação de risco para muitos trabalhadores.

"Assim que eles ficam sabendo o quão fortemente a Amazon se opõe a eles, e a quantidade de recursos que a empresa está disposta a gastar para derrotar um sindicato, o medo se instala", disse Tom Kochan, professor de relações industriais da Sloan School of Management do MIT (Massachusetts Institute of Technology).

Kochan conduziu pesquisas que mostram um alto, e até crescente, apoio aos sindicatos entre os norte-americanos. Mas quando se trata de campanhas individuais em locais de trabalho, “a realidade se estabelece - quando o empregador faz campanha tão forte que você pensa que está colocando seu emprego em risco (se apoiar o sindicato)".

As mudanças na economia agravaram o problema. Grandes empresas como a Amazon têm operações espalhadas pelo país, tornando mais fácil para elas transferirem tarefas de funcionários. Em comparação com uma siderúrgica ou uma montadora de automóveis, um centro de distribuição voltado ao comércio eletrônico tem menos investimentos fixos em equipamentos, o que também facilita a transferência de empregos.

“Por que eu deveria, como trabalhador individual, ganhando 15 dólares por hora, arriscar três anos de batalha com meu empregador para fazer algo, e, ao mesmo tempo, correr o risco de perder meu emprego?”, comenta Kochan simulando o pensamento dos empregados.

A visão tradicional, compartilhada por Kochan e muitos outros especialistas em questões trabalhistas, é que medidas da empresa para combater a sindicalização, incluindo táticas que seriam ilegais em outros países - como exigir que os trabalhadores compareçam a reuniões para ouvir argumentos contra a sindicalização - precisam ser combatidas.

Houve otimismo entre os ativistas nos meses finais da campanha de sindicalização na Amazon, já que o movimento atraiu apoio de alto nível e atenção da mídia nacional e internacional, incluindo um discurso do presidente Joe Biden criticando a Amazon por dificultar as iniciativas sindicais em seus centros de distribuição.

Mas nada disso foi suficiente para contrariar a visão de alguns funcionários da Amazon de que o pagamento e as condições de trabalho na empresa são relativamente boas. Isso além das barreiras cotidianas que se combinaram nos últimos anos para levar a uma baixa adesão histórica à filiação sindical nos Estados Unidos. Apenas 6,3% dos trabalhadores do setor privado pertencem a sindicatos, de acordo com o Departamento do Trabalho dos EUA.

Uma resposta a isso nos últimos anos tem sido a criação de novos tipos de organizações trabalhistas, que contornam muitas restrições legais às campanhas sindicais formais para obterem acordos coletivos de trabalho com os empregadores.

Michael Hicks, economista da Ball State University, em Indiana, disse que os sindicatos precisam renovar sua imagem. Muitos avanços no local de trabalho, como a semana de 40 horas, foram implementados décadas atrás graças à organização dos trabalhadores. Nos últimos anos, a economia tem visto ondas de fechamentos de fábricas, em que as empresas culpam os sindicatos afirmando que eles reduzirem competitividade das operações.