Movimentos denunciam mais de 100 detidos em Cuba pelos protestos

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Um homem é preso durante uma manifestação contra o governo do presidente Miguel Diaz-Canel no município de Arroyo Naranjo, em Havana, em 12 de julho de 2021

Mais de cem pessoas são declaradas como detidas em Cuba após os históricos protestos que começaram no domingo na ilha, entre elas alguns opositores conhecidos, como Guillermo Fariñas, o ex-preso político Daniel Ferrer e o artista Luis Manuel Otero Alcántara, segundo denunciaram várias fontes concordantes.

Milhares de cubanos saíram às ruas espontaneamente no domingo em cerca de quarenta cidades e povoados da ilha para protestar pela crise econômica, que foi agravada pela escassez de alimentos e medicamentos.

Após uma breve reconciliação entre 2014 e 2016, as relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos estão em seu nível mais baixo desde que Donald Trump reforçou o embargo em vigor desde 1962.

Essas sanções e a ausência de turistas, devido à pandemia, mergulharam Cuba em uma profunda crise econômica e geraram forte insatisfação social.

De acordo com uma lista publicada na segunda-feira à noite no Twitter pelo Movimento San Isidro (MSI), um grupo de intelectuais e universitários que exigem liberdade de expressão e criação, 114 pessoas foram detidas ou não estão localizadas.

"São mais de 32h da detenção arbitrária de @LMOAlcantara" (Luis Manuel Otero Alcántara)", disse em outro tuíte o MSI.

O artista performático, que em maio esteve recluso em um hospital sem comunicação com o exterior, foi para as ruas se manifestar como milhares de cubanos e foi preso, disse a mensagem.

De acordo com a lista, o líder opositor José Daniel Ferrer também está entre os detidos.

"Violência e detenções de manifestantes cubanos e desaparecimentos de ativistas – incluindo @cocofarinas , @jdanielferrer de UNPACU, @Mov_sanisidro , @LMOAlcantara e @Omnipoeta – nos lembram que os cubanos pagam caro pela liberdade e dignidade", disse no Twitter Julie Chung, secretária de Estado adjunta para as Américas dos Estados Unidos. "Pedimos sua liberdade imediata", acrescentou.

Também denunciou sua prisão no Facebook o dramaturgo Yunior García, um dos precursores do movimento 27N, surgido depois de uma manifestação de 27 de novembro de artistas e intelectuais para pedir maior liberdade de expressão.

García relatou que, quando soube dos protestos, foi ao Instituto Cubano de Rádio e Televisão (ICRT) no domingo com outros colegas para pedir 15 minutos em frente às câmeras.

Mas "um grupo de conservadores radicais e vários grupos de Resposta Rápida nos negaram" essa oportunidade e "fomos agredidos, arrastados à força e lançados sobre um caminhão de carga, como sacos de lixo", disse.

Ele afirmou que foram levados para o centro de detenção Vivac, em Havana, onde foram presos.

"Vimos dezenas de jovens chegarem", acrescentou, destacando que depois dos interrogatórios, ele e seus colegas foram liberados na segunda-feira à tarde "sob uma medida cautelar" e "um processo de investigação".

Entre os detidos estava Camila Acosta, uma jornalista cubana de 28 anos presa na segunda-feira, segundo Alexis Rodríguez, chefe da editoria de internacional do jornal madrilenho ABC, com o qual trabalhou durante seis meses.

O ministro das Relações Exteriores espanhol pediu, nesta terça-feira, às autoridades cubanas que respeitem o direito de manifestação e exigiu a libertação "imediata" de Camila Acosta.

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