Movimentos de esquerda marcham por aumento salarial e contra ajuste na Argentina

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Jovem usando camiseta da seleção argentina participa de protestos de movimentos de esquerda em Buenos Aires, em 21 de setembro de 2021 (AFP/Juan MABROMATA)
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Organizações de esquerda da Argentina fizeram uma manifestação nesta terça-feira (21) em Buenos Aires para pedir o aumento do salário-mínimo e protestar contra o pagamento da dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o ajuste fiscal.

"Eles vão tentar aplicar um forte ajuste para poder garantir os acordos com o FMI e o novo gabinete (de ministros) completamente de direita", disse à AFP Celeste Fierro, dirigente do Movimento Socialista dos Trabalhadores (MST). Milhares de manifestantes provenientes da periferia de Buenos Aires caminharam hoje até a Praça de Maio, em frente à Casa Rosada.

A Argentina está em negociações com o FMI para modificar os termos do empréstimo "stand by" de US$ 45 bilhões de 2018, firmado pelo ex-presidente de direita Mauricio Macri. Apenas em 2022, o país teria que desembolsar 19 bilhões de dólares, um montante que o governo afirma não ter.

Além disso, a aliança governante de setores peronistas de centro-esquerda e centro-direita vem de uma derrota nas eleições primárias legislativas de 12 de setembro.

Os governistas caíram de 48% para 31% dos votos em relação ao pleito presidencial que levou Alberto Fernández ao poder em 2019.

"Eles estão discutindo mais como fechar as contas com o FMI do que como se faz para sair seriamente desta situação a médio prazo, e não esta coisa pré-eleitoral de oferecer dinheiro (subsídios e aumento moderado do salário-mínimo)", disse à AFP Silvia Saravia, da organização Bairros de Pé.

A oposição neoliberal e de centro-direita obteve 40% de votos nas primárias, a etapa inicial de um processo eleitoral que culmina em 14 de novembro, quando serão renovadas metade das cadeiras dos deputados e um terço do Senado. Com isso, os governistas correm risco de perder a primeira minoria da Câmara e o quórum no Senado.

Após a derrota, Fernández empreendeu mudanças no gabinete e conseguiu manter o apoio da vice-presidente Cristina Kirchner, líder da centro-esquerda, que, no entanto, criticou duramente sua política de não melhorar a renda da classe trabalhadora e da classe média baixa.

"O governo recebeu uma surra nas urnas", opinou a dirigente do MST Celeste Fierro. Fernández, contudo, espera reconquistar o eleitorado com medidas para reduzir a pobreza e dar impulso ao mercado interno, que vive uma recessão desde 2018.

O salário-mínimo de 29.160 pesos (US$ 283) equivale a menos da metade do valor de uma cesta básica, cujo custo aumenta ao ritmo de uma inflação indomável (32,3% entre janeiro e agosto). A pobreza, por sua vez, já atinge 42% da população.

Os movimentos de esquerda, por outro lado, reivindicam um salário-mínimo de 70 mil pesos (US$ 680).

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