Movimentos sociais argentinos bloqueiam estradas em protesto

(7 mar) Protesto em Buenos Aires contra a política econômica do presidente argentino

Milhares de ativistas dos movimentos sociais da Argentina participam nesta quarta-feira em um dia de protesto com bloqueios de estradas e pontes para reivindicar auxílios sociais do governo de Mauricio Macri.

As organizações sociais se mobilizaram com grandes cartazes e ao som de tambores, comprovou um jornalista da AFP.

Os protestos geraram engarrafamentos na periferia de Buenos Aires e na própria capital, onde o governo do presidente Macri recorreu a um grande efetivo de forças policiais.

"O governo tem uma enorme dívida social. Foi aprovada uma lei (em 2016) para aumentar os auxílios, mas ainda não se mobilizou um único centavo para a luta contra a indigência", disse à imprensa um dos líderes sociais, Juan Grabois, da poderosa Confederação de Trabalhadores da Economia Popular (CTEP), uma entidade muito próxima ao papa Francisco.

"Queremos manter o diálogo", disse Macri nesta quarta-feira em reação aos protestos, anunciando um plano empresarial-sindical para estimular a produção automotiva.

Na Argentina, um terço da população de 42 milhões de habitantes está em situação de pobreza, segundo dados oficiais. Desde que Macri assumiu a presidência, em dezembro de 2015, mais de 1,5 milhão de pessoas entraram na linha de pobreza, segundo o Observatório Social da Universidade Católica.

O desemprego está em torno de 10%, de acordo com o instituto estatal Indec.

Os protestos e bloqueios desta quarta-feira coincidiram com o início de um greve de 48 horas de milhares de professores, que pedem melhores salários, o que deixou quatro milhões de alunos sem aulas.

Além disso, 600 hospitais - em todo o país - operavam com capacidade reduzida por conta de outro protesto, organizado por médicos, pedindo melhorias salariais.

À noite, dezenas de cidadãos se reuniram tocando buzinas e bumbos em um "ruidaço" para protestar contra um novo aumento das tarifas dos serviços públicos.

As duas centrais sindicais CTA Autônoma e a CTA dos Trabalhadores anunciaram nesta semana uma greve nacional de 24 horas em 30 de março, pedido melhores salários e contra a política econômica e trabalhista de Macri.

A terceira e maior central sindical, CGT, está prestes a anunciar a data de uma greve geral, antecipada em uma enorme mobilização em 7 de março.