Casa Branca diz continuar trabalhando para aprovar novo plano de saúde

Washington, 24 mar (EFE).- O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, afirmou nesta sexta-feira que o governo de Donald Trump continua trabalhando com o presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, para conseguir os votos necessários para aprovar o novo plano de saúde para substituir a lei sanitária do ex-presidente Barack Obama.

Spicer confirmou que Trump e Ryan estão reunidos para abordar o assunto, mas reconheceu que ainda não há votos suficientes.

"Vamos continuar trabalhando com o presidente da câmara baixa para conseguir os votos. Estamos cada vez mais perto, mas precisamos de 216 votos e não podemos forçar as pessoas a votar", disse o porta-voz.

"Vamos manter o horário da votação", acrescentou Spicer, descartando a possibilidade de um novo adiamento, como ocorreu na quinta-feira, após a bancada republicana não chegar a um acordo.

Spicer afirmou que ainda está "otimista" sobre o resultado da votação e ressaltou que tanto Ryan como Trump fizeram "todo o possível" para conseguir um resultado positivo sobre o plano sanitário.

Após a tentativa de votar o projeto na quinta-feira, o Trump deu um ultimato aos conservadores, exigiu que fosse programada uma votação para hoje e afirmou que, caso o plano não avance, a lei atual impulsionada por Obama seria mantida.

O presidente americano criticou hoje o Freedom Caucus (Caucus da Liberdade), o grupo ultraconservador de legisladores que está dificultando o acordo por querer menos regulações e que os cidadãos sejam capazes de escolher quais cuidados médicos seus planos de saúde devem cobrir.

Trump considerou que a oposição do Caucus da Liberdade ao plano republicano permitirá a manutenção da lei sanitária de Obama e apoiará de maneira indireta a Planned Parenthood, a maior organização de planejamento familiar dos Estados Unidos que recebeu várias críticas dos republicanos.

"A ironia é que o Caucus da Liberdade, que é muito pró-vida e contra a Planned Parenthood, permitirá que o P.P. (sigla de Planned Parenthood) continue, se barrar este plano", disse o presidente em sua conta pessoal no Twitter.

O grupo de legisladores do Caucus da Liberdade conseguiu que a Casa Branca retirasse de sua proposta legislativa os chamados "benefícios essenciais", uma cobertura básica que as seguradoras incluem e que compreende, entre outras coisas, a assistência em urgências ou os cuidados de maternidade.

Para ser aprovada, a proposta legislativa necessita de 216 votos e, embora a maioria republicana conte com 237 cadeiras na Câmara dos Representantes, a rebelião interna dos ultraconservadores (cerca de 30 votos) poderia impedir a aprovação do plano. EFE