MP denuncia seis por desabamento de prédio no Largo do Paissandu

Prédio desabou em maio de 2018 após um incêndio. Foto: Giorgia Cavicchioli

O MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) anunciou, nesta segunda-feira (30), que a promotoria denunciou seis pessoas pelo desabamento do prédio Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu, em São Paulo. O edifício caiu em maio do ano passado após um incêndio no local e deixou sete mortos.

Na época, o prédio era ocupado por pessoas que não tinham casa e que viram no local desocupado uma possibilidade de ter um lar. Porém, foi apurado que o edifício não era adequado para moradia. Por conta disso, coordenadores do MSLM (Movimento Social de Luta por Moradia) estão entre os denunciados.

Os líderes, segundo o MP, expuseram os moradores do local à morte e à situações que poderiam causar danos à integridade física e patrimonial dos moradores do prédio. Também foi apurado que os coordenadores cobravam uma espécie de aluguel das pessoas que ali ficavam.

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A justificativa usada pelos membros do movimento era que o dinheiro arrecadado era usado para fazer reparos e obras de manutenção no prédio, mas o MP afirma que essas melhorias nunca foram feitas.

Além dos líderes do movimento, a promotoria também denunciou engenheiros ligados à administração municipal de São Paulo por não determinarem a interdição do prédio, que era necessária.

Na denúncia, a promotora de Justiça Luciana André Jordão Dias afirmou que todos foram omissos e negligentes e que colaboraram para que a tragédia ocorresse. Na denúncia, é dito que o prédio "apresentava danos à sua estrutura e deveria ter sido interditado pelo Município de São Paulo”.

Além disso, também é dito que a situação do edifício foi agravada quando o movimento “efetuou ligação irregular de energia elétrica no prédio e construiu estrutura com tapumes do tipo madeirite para dividir as unidades ocupadas”.

A denúncia também elenca inúmeros problemas de segurança quando diz que moradores jogavam lixo no fosso do elevador, cozinhavam com álcool e usavam botijões de gás dentro dessas separações improvisadas.

Caso a denúncia seja aceita pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), os denunciados vão responder por homicídios culposos (quando não há intenção de matar) e por causarem o incêndio e o desmoronamento do edifício.