MP Eleitoral vai investigar denúncia de assédio eleitoral a beneficiários do Auxílio Brasil do MS; caso foi flagrado pela TV Globo

A Procuradoria Regional Eleitoral do Mato Grosso do Sul vai investigar se houve assédio eleitoral para tentar forçar beneficiários do Auxílio Brasil da cidade de Coronel Sapucaia, no MS, a votarem em Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição. De acordo com denúncia do programa Profissão Repórter, da TV Globo, moradores do município contemplados com o benefício teriam sido convocados para uma reunião dois dias antes da votação para receber orientações a respeito do voto.

Leia mais: Carro atropela manifestantes durante bloqueio em rodovia no interior de SP

Mundo: Casa Branca diz estar satisfeita com reconhecimento de resultado da eleição por Bolsonaro

-- Eu fui [à reunião]. Chegamos lá. Eles, sinceramente, falaram sobre o Auxílio Brasil, porém a parte foi só sobre política - que teria que votar no 22, porque se não, no caso, não teria mais verba para vir para cá, né? Aí pararia com tudo: pararia de fazer o asfalto, as escolas--, contou uma mulher que não se identificou em entrevista ao programa.

A equipe de reportagem chegou a flagrar a reunião no centro cultural do município, mas nenhum participante quis informar o teor da conversa. Foi possível identificar que os organizadores tinham uma lista para registro de presença. Uma assessora da prefeitura chegou a afirmar que o evento tinha como objetivo "demonstrar o que o presidente e o governador estavam fazendo pelas pessoas”.

Uma mulher que mora ao lado do local da reunião contou ainda que o encontro não era uma prática regular da prefeitura e que foi realizado apenas na semana da eleição.

"Antes não tinha essa reunião não. Disse que era para assinar o negócio do Bolsa Família. Aí ontem que eu ouvi falando que, quando acaba a reunião, o Rudi (prefeito de Coronel Sapucaia) dá R$ 50 para cada um. Rudi é o prefeito daqui", afirmou.

O prefeito do município foi questionado sobre a reunião, mas afirmou que estava atuando em uma campanha eleitoral fora da cidade no horário do encontro e que não estava a par da organização do encontro.

Na cidade, que fica na fronteira do Brasil com o Paraguai, Lula e Bolsonaro emparam no primeiro turno, com 4.254 para cada. Já no segundo turno, o presidente conseguiu a virada, com 4.530 eleitores, contra 4.090 do petista.