MP não vê apologia ao nazismo em gesto de bolsonaristas em São Miguel do Oeste (SC)

O Ministério Público de Santa Catarina afirmou não ter identificado, em uma investigação preliminar, apologia ao nazismo no gesto feito por manifestantes bolsonaristas em São Miguel do Oeste. Imagens do momento circularam nas redes sociais e provocaram reação do Museu do Holocausto e das Embaixadas da Alemanha e Israel.

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Para o MP, não há, portanto, evidência de prática criminosa. O órgão, no entanto, afirma que a atitude é "absolutamente incompatível com o respeito exigido durante a execução do hino nacional" e podee gerar alguma responsabilidade. Um relatório será encaminhado para a 40ª Promotoria de Justiça da Capital, que poderá aprofundar as investigações.

Segundo o MP, a investigação "feita de forma célere e prioritária" apontou que o gesto foi realizado após um pedido do locutor do evento. O objetivo dos braços estendidos era "emanar energias positivas".

Relatos foram colhidos pelo órgão junto a manifestantes, policiais e repórteres que estavam no local.

"Não restou evidenciada nenhuma ligação do referido locutor com nazismo, bem como foram identificadas imagens que os manifestantes por diversos momentos realizaram orações, inclusive se ajoelhando em frente ao quartel do Exército, trazendo verossimilhança à narrativa que não se tratava de gesto nazista", diz ainda o MP.

Reação nas redes

As imagens do momento em que os bolsonaristas estendem o braço à frente, em gesto similar a saudação nazistas "Heil Hitler", circulou pelas redes sociais nos últimos dias e provocou forte reação entre autoridades:

"Estética e contexto (social e histórico) deveriam ser suficientes para que não precisássemos nos deparar com cenas ofensivas como estas", afirmou o Museu do Holocausto em postagem no Twitter. "A tentativa de associar esse gesto ao juramento à bandeira é mais um ultraje que a Justiça e a educação antifascista precisarão se debruçar".

O embaixador da Alemanha no Brasil, Heiko Thoms, afirmou que "esse gesto desrespeita a memória das vítimas do nazismo e os horrores causados por ele".

"O uso de símbolos nazistas e fascistas por 'manifestantes' claramente de extrema direita é profundamente chocante. Apologia ao nazismo é crime! Não se trata de liberdade de expressão, mas de um ataque à democracia e ao Estado de Direito no Brasil", disse em postagem em rede social.

A Embaixada de Israel emitiu um comunicado a respeito do mesmo episódio.

"Rejeitamos qualquer forma de referências nazistas no Brasil e em geral. Estamos preocupados com esse fenômeno aqui e contamos com as autoridades competentes para que tomem as providências necessárias para acabar com esse tipo de atos ultrajantes", diz a nota.