MP peruano pede 30 anos de prisão para candidata à Presidência Keiko Fujimori

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(Arquivo) A opositora peruana Keiko Fujimori

O Ministério Público peruano pediu 30 anos de prisão para a candidata à Presidência Keiko Fujimori, a quem acusa de lavagem de dinheiro pago ilegalmente pela empreiteira brasileira Odebrecht para financiar suas campanhas de 2011 e 2016, após concluir 28 meses de investigação.

"O promotor José Domingo Pérez apresentará a acusação contra Keiko Fujimori e outras 41 pessoas por supostos delitos de crime organizado, lavagem de ativos, obstrução da justiça, declaração falsa em procedimento administrativo", anunciou nesta quinta-feira (11) o MP, minutos antes do cumprimento do trâmite administrativo.

Além disso, o promotor pediu que o partido Força Popular, liderado por Keiko Fujimori, seja dissolvido caso um tribunal condene a filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), que está preso.

A acusação foi entregue a um juizado presidido pelo magistrado Víctor Zuñiga, que notificará a candidata, que terá dez dias para observar a denúncia, informaram à AFP fontes judiciais.

O julgamento ainda não tem data marcada, pois só poderá ser anunciada quando forem esgotados todos os recursos legais contra o MP.

Estima-se, no entanto, que a primeira audiência ocorra em abril, quando o Peru irá às urnas no dia 11 daquele mês para eleger presidente e membros do Congresso.

Entre os incriminados estão assessores e altos dirigentes do Força Popular, como Vicente Silva Checa, Pier Figari, Ana Herz, Jaime Yoshiyama e José Chlimper.

As penas solicitadas para Keiko e o alto escalão do partido são de 30 anos e dez meses de prisão, enquanto para os outros 33 acusados pede-se de seis a 22 anos de prisão.

A candidata, que está em terceiro lugar em algumas pesquisas, reiterou ser vítima de uma perseguição política.

"Por mais que um promotor queira agora se meter na reta final do primeiro turno, eu continuarei enfrentando esta perseguição e avançando com energia para que juntos possamos superar esta emergência sanitária e econômica", escreveu no Twitter.

A investigação sobre o caso começou em 19 de outubro de 2018 e terminou neste 11 de março, com interrogatórios no Peru e no Brasil.

O MP obteve, no fim de 2019, uma declaração de um ex-executivo da Odebrecht, Luiz Eduardo da Rocha Soares, que teria confirmado o aporte de um milhão de dólares da empresa para arcar com a campanha da líder do Força Popular em 2011.

Segundo o MP, os aportes supostamente irregulares foram para a campanha presidencial de 2011 e 2016, onde Keiko perdeu a eleição no segundo turno.

Keiko, de 45 anos, mãe de duas filhas menores, esteve 13 meses em prisão preventiva pelo menos caso desde outubro de 2018. Ela foi posta em liberdade em 29 de novembro de 2019, depois que o Tribunal Constitucional acolheu um habeas corpus.

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