MP recorre e quer bicheiro Bernardo Bello seja mantido preso

RIO — A suspeita de que, após ser solto na Colômbia, o contraventor Bernardo Bello vai desaparecer, levou o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) a ajuizar um recurso junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o relaxamento da prisão. Preso em 28 de janeiro em Bogotá, ele é acusado de ordenar a morte de Alcebíades Paes Garcia, o Bid, principal rival na disputa por pontos de contravenção, em fevereiro de 2020, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Pela decisão tomada pelo STJ, Bello, após libertado, terá 48 horas para se apresentar perante as autoridades no Brasil. O advogado do contraventor, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, garantiu que o cliente sairá da cadeia, no complexo La Picota, diretamente para o aeroporto, onde embarcará para o Rio de Janeiro. Kakay disse que pediu ajuda à Embaixada brasileira na Colômbia para agilizar o processo de liberação de Bello.

Como a extradição só cabe para pessoas presas no exterior e Bello não terá qualquer escolta até o embarque, os investigadores no Brasil temem que ele tome outro destino e não cumpra as determinações do judiciário.

Para manter Bello preso, o MP-RJ interpôs embargos de declaração (um recurso que contesta omissões e contradições) contra o acórdão proferido pelo STJ que permitiu ao contraventor responder em liberdade. O recurso aponta a existência de contradição no acórdão por explicitar duas conclusões antagônicas: o fato de não haver, segundo a decisão colegiada, indícios suficientes de participação do embargado no homicídio, mas, ao mesmo tempo, o mesmo colegiado impor outras medidas cautelares diversas da prisão, que requerem, para a sua concessão, esses mesmos indícios.

O MP-RJ ressaltou ainda que, em decisões anteriores referentes a outros acusados, o ministro Olindo Menezes, relator do caso no STJ, entendeu pela presença dos requisitos da preventiva. Nos embargos de declaração foram ajuizados junto à 6ª Turma do STJ, também argumenta que houve omissão no acórdão já que o habeas corpus impetrado pela defesa de Bello foi usado como substitutivo de recurso ordinário, razão pela qual não deveria ter sido conhecido, como demonstra a jurisprudência.

Preso preventivamente na Colômbia, após ser denunciado como autor intelectual do atentado contra Bid, Bello teria ido para o país vizinho, no entender dos investigadores, com a intenção de fugir. Ele embarcou para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em 8 de janeiro e tinha passagem marcada de retorno ao Brasil para o último dia 25, mas de última hora ele cancelou os bilhetes dele, da namorada e das cinco crianças do grupo. Todas eram de primeira classe e custaram R$ 35 mil cada.

Nesse momento, ele começou o que o MP-RJ caracterizou como indícios de fuga, ao comprar passagens para Amsterdã, na Holanda. Lá, ele ficou alguns dias. Depois, foram todos para a Colômbia. Ao desembarcar em Bogotá, o grupo pegou outro voo para a cidade de Cartagena das Índias.

O advogado de Bello rebateu as suspeitas. Garantiu que o cliente tinha passagem de retorno ao Brasil marcado para 30 de janeiro. Também contestou o recurso ajuizado pelo MP-RJ, ao alegar que o pedido de prisão não tem fundamento e que a decisão de soltá-lo foi tomada por unanimidade no STJ.

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