MP-SP cria força-tarefa para investigar a Prevent Senior

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Diretor-executivo da operadora da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, fala na CPI da Covid. Foto: Pedro França/Agência Senado.
Diretor-executivo da operadora da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, fala na CPI da Covid. Foto: Pedro França/Agência Senado.
  • Operadora de saúde é investigada também na Polícia Civil e na CPI da Covid

  • Há acusações de fraudes de atestados de óbitos de pacientes com covid-19

  • Empresa também teria omitido mortes em estudo com hidroxicloroquina

O Ministério Público Estadual de São Paulo (MP-SP) criou uma força-tarefa nesta quinta-feira (23) para apurar as denúncias de irregularidades contra a operadora de saúde Prevent Senior. Mario Sarrubbo, procurador-geral de Justiça, pediu “atenção total” ao caso.

Integram o grupo os promotores Everton Zanella, Fernando Pereira, Nelson dos Santos Pereira Júnior e Neudival Mascarenhas Filho.

Até agora, a empresa já é investigada no MP, na Polícia Civil e na CPI da Covid por supostamente ter pressionado seus médicos conveniados a tratar pacientes com os medicamentos encontrados no “kit covid”, também conhecido como “tratamento precoce”, que inclui, entre outros, a hidroxicloroquina, comprovadamente ineficaz contra a doença.

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Depoimentos mostram que a Prevent se alinhou ao discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que desde o começo da pandemia promoveu medidas e medicamentos sem comprovação científica. O presidente, inclusive, voltou a defender a cloroquina em seu discurso na 76ª Assembleia Geral da ONU.

Há também investigações sobre a Prevent correndo em órgãos de defesa do consumidor e na Agência Nacional de Saúde Suplementar. A operadora também enfrenta acusações por conduzir um estudo sobre a eficácia da hidroxicloroquina sem notificar pacientes e seus familiares. O estudo teria, ainda, omitido mortes de pacientes, para tentar influenciar resultados que mostrassem que o medicamento seria eficaz.

A operadora também é acusada de receitar medicamentos para câncer de próstata e artrite reumatoide para pessoas com covid-19, sem respeitar bula dos remédios ou ter aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A empresa, no entanto, ainda argumenta, mesmo com relatos de médicos e pacientes e diversos documentos comprobatórios, que não orientava diretamente o uso do “kit covid”, e que os médicos são livres para escolher o melhor tratamento. A Prevent também nega ter fraudado o estudo clínico.

Outra suspeita é que pacientes que morreram de covid-19 tiveram seus atestados de óbito fraudados, entre eles a mãe do empresário Luciano Hang, grande apoiador de Bolsonaro.

Ontem, quinta-feira (23), o diretor-executivo da empresa, Pedro Batista Júnior, deu depoimento à CPI da Covid no qual afirmou que o dossiê contra a operadora enviado à comissão, que reúne as denúncias investigadas, contém informações "manipuladas" por médicos demitidos da rede.

Ainda assim, admitiu que a Prevent recomendou que médicos mudassem o CID de pacientes com covid após 14 ou 21 dias do diagnóstico oficial.

O diretor perdeu seu posto de testemunha e agora é investigado pela CPI.

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