MPF apura se outros dirigentes da Caixa participaram de assédios ou acobertaram casos

Presidente da Caixa deixou o cargo após as denúncias - Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino
Presidente da Caixa deixou o cargo após as denúncias - Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino
  • MPF apura conduta de dirigentes da Caixa nos casos de assédio dentro da empresa

  • Órgão tenta determinar se a liderança do banco praticou os abusos ou acobertou Pedro Guimarães

  • O presidente da empresa deixou o cargo na última quarta, após denúncias públicas de assédio sexual

O Ministério Público Federal (MPF) vai investigar se outros dirigentes da Caixa estiveram envolvidos em casos de assédio sexual contra funcionárias ou tentaram acobertar o escândalo protagonizado pelo então presidente do banco, Pedro Guimarães.

Guimarães deixou o cargo na noite da última quarta-feira (29), justamente após ser alvo de diversas denúncias de assédio sexual feitas por funcionárias, que se tornaram públicas. Ele recebeu um prazo de 10 dias do Ministério Público do Trabalho (MPT) para se manifestar sobre as acusações.

Agora, o objetivo do MPF é determinar se o ex-presidente da Caixa agiu sozinho ou tinha a companhia de outros dirigentes do banco, seja abordando as funcionárias irregularmente ou escondendo os atos de Guimarães.

Segundo relatos ao blog de Ana Flor, no G1, o comando do banco tinha conhecimento dos casos do presidente e o acobertou.

Ainda de acordo com as denúncias, os primeiros relatos chegaram à direção da empresa ainda em 2019, ano em que Guimarães assumiu o comando, mas nada foi feito.

As funcionárias afirmam que há uma cultura de assédio sexual na empresa, o que comprovaria a participação de dirigentes no escândalo.

A saída de Guimarães

Segundo publicado pela colunista Bela Megale, do jornal O Globo, a oficialização do pedido de demissão de Guimarães ocorreu durante um encontro com o presidente Jair Bolsonaro (PL) através de uma carta. Leia a íntegra da carta no fim da notícia.

As acusações contra Guimarães foram reveladas inicialmente pelo portal Metrópoles. De acordo com as vítimas ouvidas pela reportagem, o assédio sempre se dava por "toques íntimos não autorizados, abordagens inadequadas e convites heterodoxos".

Após a revelação do caso, aliados de Bolsonaro entenderam que o caso poderia afetar o presidente, em especial pela relação próxima entre Bolsonaro e Guimarães.

Outra preocupação era com a aderência de Bolsonaro no eleitorado feminino, que rejeita majoritamente o presidente da República. Segundo a jornalista Andréia Sadi, da TV Globo, a pressão acontecia tanto por parte da ala política quanto da ala econômica.

Jair Bolsonaro e Pedro Guimarães são bastante próximos. O presidente da Caixa Econômica Federal costuma acompanha Bolsonaro em viagens e participar de lives. Ele chegou a ser cotado para ser vice do presidente na campanha de reeleição.

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